Áreas naturais preservadas podem reduzir os impactos de eventos climáticos extremos nas cidades da Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná, segundo estudo realizado pelo projeto Observatório Climático do Alto Iguaçu, desenvolvido pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). A pesquisa identificou que regiões com maior conservação de vegetação e do solo têm mais capacidade de absorver água da chuva, reduzir o risco de enchentes, recarregar aquíferos e armazenar carbono.
O levantamento analisou cerca de 6.200 hectares entre os municípios de Curitiba e Araucária, onde vivem mais de 100 mil pessoas. A equipe avaliou três serviços ecossistêmicos: recarga hídrica, mitigação de enchentes e armazenamento de carbono, utilizando a metodologia internacional InVEST e um banco de dados com aproximadamente 115 estudos científicos, documentos técnicos e políticas públicas.
Na bacia hidrográfica do Alto Iguaçu, a capacidade anual de recarga hídrica foi estimada em 3,7 bilhões de metros cúbicos. Nos municípios analisados diretamente, a contribuição chega a 142,4 milhões de metros cúbicos por ano em Araucária e a 32,7 milhões em Curitiba.
O estudo aponta ainda que solos preservados favorecem a infiltração da água, enquanto áreas mais impermeabilizadas apresentam maior vulnerabilidade às chuvas intensas.
A pesquisa também estimou um estoque de aproximadamente 167,2 mil toneladas de carbono nas áreas inventariadas, equivalente a cerca de 613 mil toneladas de CO₂. Os maiores volumes foram registrados em fragmentos maiores e mais conservados.
As diferenças aparecem também na distribuição desses serviços pela região. Remanescentes de vegetação no bairro de Campo de Santana, em Curitiba, e em áreas rurais de Araucária apresentaram maior capacidade de infiltração de água e armazenamento de carbono. Já bairros mais urbanizados, com maior impermeabilização do solo, registraram maior vulnerabilidade aos efeitos das chuvas intensas.
Os estudos já foram entregues às prefeituras de Curitiba e Araucária. A próxima etapa prevê a capacitação de servidores públicos, lideranças comunitárias e jovens lideranças climáticas, além da elaboração de propostas para incorporar os resultados ao planejamento urbano. A expectativa é que, a partir de 2027, os dados sejam utilizados em decisões sobre uso do solo, conservação de áreas naturais e adaptação às mudanças climáticas.
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