Praia da Macumba – 2007
|
Natal – As paisagens das praias brasileiras podem sofrer mudanças significativas com as mudanças climáticas. A maior freqüência de tempestades e a elevação do nível do mar são capazes de transportar imensas quantidades de sedimentos, fazendo com que a faixa de areia se reduza e até desapareça em alguns casos, como explica o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Dieter Muehe.
Em apresentação durante a 62a reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que ocorre até sexta feita em Natal (RN), Muehe mostrou simulações que sugerem que “com as mudanças climáticas, além da elevação do nível do mar, haverá uma intensificação da freqüência de tempestades excepcionais”.
“Então a linha de costa tende a recuar por erosão, mas a praia, quando existe, fica entre o mar e continente, então vai depender se ela tem sedimentos suficientes. Se tiver, cria uma nova praia em posição mais interiorizada, mas se faltar sedimentos ela não tem como se manter, então ela desaparece e a erosão fica mais acentuada, porque não tem mais aquela proteção”, disse ao apresentar exemplos como a praia da Macumba no Rio (veja fotos ao lado).
Segundo o pesquisador, uma solução seria a reposição da areia nas praias. A técnica é cara, mas já foi aplicada na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, além de cidades como Fortaleza e Vitória. “Nas praias urbanas, que é onde os prejuízos em termos de erosão costeira são mais intensos pela perda de propriedade, você pode tirar areia de um canto com características semelhantes e recolocar e formar uma praia artificial. Uma das fontes é a plataforma continental, a uma profundidade maior que 10 metros, mas também não muito profundo, porque começa a ter muita lama junto, carbonato.”, explicou.
Dieter Muehe considera a formação de praias artificiais uma solução mais adequada do que obras para a contenção do mar. Mas ele lembra que em alguns lugares isso não é possível. Na cidade do Recife, por exemplo, a erosão costeira é um problema crítico. Estudos da Universidade Federal de Pernambuco indicam que, na última década, a praia de Boa Viagem perdeu 20 metros de faixa de areia. Mas a região apresenta um déficit de sedimentos, o que inviabiliza a reposição da areia. Para conter as águas, foi adotada então uma outra técnica, conhecida como enrocamento, que é uma estrutura de pedra erguida de forma paralela à praia.
Para o pesquisador da UFRJ, as diferenças entre cada realidade alertam para a necessidade de se aprofundar os estudos na área. É necessário conhecer melhor quais são as fontes de sedimentos naturais, onde existem jazidas que podem ser exploradas, alem de saber se é mesmo viável manter uma praia artificialmente.
(por Mônica Montenegro. Editora do Programa Salão Verde da Rádio Câmara e está em Natal fazendo cobertura da 62a reunião da SBPC)
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia
Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima →
Futuros governadores têm desafio de recuperar o Cerrado, berço das águas
As candidaturas ao governo dos estados receberam uma lista de propostas concretas para recuperar as bacias hidrográficas do bioma que abastece oito das doze grandes bacias do país →
Muito do futuro da conservação da natureza se decide no Congresso
Desmonte socioambiental e passivo institucional são apenas algumas das decisões que podem ser barradas ou avançadas no Legislativo →


