De José Augusto Pádua
Prezado Marc,
Grato pela resposta cordial e ponderada, como eu já esperava. Ela facilita um diálogo mais construtivo sobre o tema. Vejo que são dois assuntos diferentes, apesar de próximos: a figura histórica de Chico Mendes e o resultado prático das reservas extrativistas.
No primeiro ponto, creio que a sua concordância com algumas das minhas colocações ajuda a posicionar melhor a imagem do nosso personagem. Não gostaria que as pessoas, especialmente os jovens que não viveram os acontecimentos da época, ficassem com a idéia de que seu ambientalismo não era genuíno.
O segundo ponto merece um exame mais cuidadoso e isento. Será que a morte do Chico foi em vão e que as reservas extrativistas não valeram de nada para a conservação da Floresta Amazônica? Não posso concordar com isso, apesar de saber dos muitos problemas que existem e de não as considerar uma panacéia (nunca considerei, aliás). Mas veja que estamos falando de mais de 20 milhões de hectares. Para começo de conversa, você acha que toda essa área teria se transformado em unidades de proteção integral? É muito mais provável que a maior parte dela teria caído na vala comum e lamentável da fronteira da destruição.
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