![]() |
O Eco lança nesta sexta (dia 22) através de seu laboratório de inovação em jornalismo ambiental – ((o))ecoLab – a plataforma de dados BNDES na Amazônia.
A ferramenta foi construída a partir da investigação feita por ((o))eco em parceria com a Agência Pública para levantar dados sobre atuação do banco estatal no financiamento de obras de infraestrutura no bioma amazônico.
Leia aqui as reportagens completas
Durante 3 meses, os repórteres Bruno Fonseca e Jessica Mota da Pública e o desenvolvedor Vitor George de ((o))eco utilizaram as planilhas de dados disponibilizadas pelo BNDES na internet desde 2008 e filtraram as empresas e projetos com impacto sobre os estados da Amazônia Legal. Para criar a plataforma, George utilizou o aplicativo Node.JS, que permite visualizar relações dentro de grandes bases de dados.
Entre as conclusões obtidas, está a concentração de investimentos do BNDES no setor de energia. Entre 2008 e 2012, esse valor cresceu de R$ 8,6 bilhões para R$ 18,9 bilhões, um aumento de 120% e também um recorde histórico.
Os 20 maiores investimentos, assim como os setores mais beneficiados podem ser visualizados nos infográficos da plataforma. A lista é encabeçada pela hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, com contratos de financiamento que ultrapassam R$25 bilhões apenas para o consórcio Norte Energia. Metade dos 20 maiores financiamentos do banco em infraestrutura nos últimos cinco anos é relativa a hidrelétricas ou linhas de transmissão de energia na Amazônia.
Dados agregados e disponíveis para download
A ferramenta BNDES na Amazônia pretende melhorar o acesso à informação de jornalistas investigativos e organizações da sociedade civil aos dados do banco estatal. Nela é possível navegar por financiamentos isolados, mas também agregar o total de recursos recebidos por empresas e governos estaduais beneficiados.
Ao acessar as páginas de projetos é possível ler quais são os consórcios responsáveis. Ao mesmo tempo é possível obter informações sobre principais as ações movidas pelo Ministério Público contra obras em que o BNDES está envolvido. Nessa quesito, a campeã é Belo Monte, que além de receber o maior financiamento acumula 21 contestações na justiça. Veja aqui os detalhes.
Todos os dados agregados e análisados na plataforma são abertos e podem ser baixados em formato CSV.
Para sugerir novas aplicações destes dados, bem como para tirar dúvidas sobre os metódos utilizados pelo time de BNDES na Amazônia, entre em contato com ((o))ecoLab.
Leia também
BNDES: 17 das 20 obras na Amazônia sofreram ações do Ministério Público
A marca dos financiamentos do BNDES na Amazônia
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia
Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima →
Futuros governadores têm desafio de recuperar o Cerrado, berço das águas
As candidaturas ao governo dos estados receberam uma lista de propostas concretas para recuperar as bacias hidrográficas do bioma que abastece oito das doze grandes bacias do país →
Muito do futuro da conservação da natureza se decide no Congresso
Desmonte socioambiental e passivo institucional são apenas algumas das decisões que podem ser barradas ou avançadas no Legislativo →

