Análises

Vestida de alface

De Adriana Lisboa Oi, Silvia,Acabo de ler o seu artigo em O Eco. Eu em parte concordo com você - um vestido de alface não é nada atraente. Sou membro da PETA e, aqui no Brasil, do instituto Nina Rosa, embora profissionalmente minha praia seja a literatura (sou escritora e tradutora). No entanto, não se trata de "relaxar um pouco e entender que o fascínio existe, que nem sempre ele é produto de devastações ambientais e que, mesmo quando é, produz algum tipo de prazer, ainda que seja tão somente estético - o que já é muita coisa." Acredito que não é exatamente a preservação do ambiente que está em jogo, aqui, mas uma luta contra o especismo - contra o milenar equívoco filosófico que leva o homem a achar que é superior aos outros animais e que, por isso, pode dispor deles. Esse é o mesmo princípio, como ensinou com extrema clareza o filósofo Peter Singer (o mais importante nome de bioética), que leva, por exemplo, o homem a achar que é superior à mulher, ou o branco a achar que é superior ao negro, ao índio.Um outro desdobramento é que, mesmo se cairmos na esparrela da superioridade/inferioridade, existe um dado factual, que é o de que os animais sofrem quando submetidos a certas práticas. Chinchilas confinadas sofrem, galinhas em granjas industriais sofrem, ratos de laboratório sofrem - a vida inteira.É contra esse sofrimento que eu pessoalmente me rebelo e isso o que me leva a ser vegetariana, a não usar couro, lã, seda ou peles de animais e a evitar comprar produtos testados em animais. Em útlima análise, é isso o que me leva a, apesar de tudo, achar um vestido de alface, por mais insosso que seja, mais atraente do que um casaco de peles.Com um grande abraço,

Redação ((o))eco ·
15 de novembro de 2005 · 21 anos atrás

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