Análises

Ministério de fé

Redação ((o))eco ·
6 de fevereiro de 2008 · 18 anos atrás

De Ana Claudia Luz

Olá! Parabéns pela matéria intitulada “Ministério da Fé”, por ter suscitado a questão e por ter se publicado a resposta do Pedro Ivo Batista. Segue apenas uma crítica rasa…

Achei tendencioso, por parte do jornalista, tanto a manchete quando o lead da matéria, mas se o leitor chegar até ao fim do artigo e ler a resposta completa do Assessor Especial do Ministério do Meio Ambiente Pedro Ivo Batista vai ver que não houve nada de inédito ou ilegítimo, quer dizer, o ineditismo está no fato de uma organização evangélica (que ao contrário do que o jornalista afirma, não se resume a igreja que a ministra freqüenta, mas a ONGs e outras organizações de reconhecimento internacional como a World Vision), pela primeira vez ter se mobilizado de forma expressiva e com apoio governamental. Fica mais claro ainda o ineditismo e a legitimidade da questão quando o assessor cita o apoio governamental anual que é dado à Campanha da Fraternidade promovida pela Igreja Católica destacando o ano de 2007 que abordou a questão da água.

Enfim, pelo menos agora, e muito pouco por meio desse artigo, sabe-se que existem segmentos, ainda que religiosos, que discutem de forma não menos científica, sua responsabilidade com relação ao meio ambiente. Caso a apuração por parte do repórter fosse além do fato da ministra freqüentar a denominação em questão e entrasse nas plenárias de discussão da tal Rede Jubileu da Terra iria sair com perspectivas mais otimistas sobre democracia e sociedade organizada.

É de conhecimento de todos que o ministério da educação e da cultura, através de seus ministros criam projetos e divulgam suas ações de inclusão e incorporação da cultura afro diretamente ligados a “religião afro” (ainda que a maior parte da África hoje seja reconhecidamente cristã), promovendo o candomblé e o orubá como parte do currículo e abordagem obrigatória nas escolas e centros comunitários.

Para mim, a questão não passa nem de longe pela “liberdade de culto”, mas sim por agregar todos os movimentos sociais organizados, independente de suas relações religiosas, a causas comuns a todos (meio ambiente, saúde, educação etc), capacitando e promovendo espaços para o diálogo entre esses diversos grupos. Sendo assim é inútil e, de certa forma, um grande desperdício por parte da comunidade científica e imprensa em geral, ignorar o poder de organizar e mobilizar, assim como a capilaridade social que as religiões preservam.

Um abraço.

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