Em recente reunião no Rio de Janeiro, o subprefeito da Barra da Tijuca, Thiago Mohamed, ofereceu à direção do Parque Nacional da Floresta da Tijuca custear a sinalização da trilha da Pedra da Gávea, proteger sua entrada com um alambrado de 300 metros que coibiria o uso de atalhos erosivos e trilhas secundárias e construir um portal no início da caminhada, na rua Sorimã. Em troca, sugeriu batizar a trilha de “Gabriel Buchman”, o montanhista carioca que faleceu recentemente em um acidente no Monte Mulanje, ao sul do Malauí.
A oferta é ótima e demonstra a excelente interação existente entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e o Instituto Chico Mendes, resultante do convênio para a gestão compartilhada da Floresta da Tijuca, retomado pela administração de Eduardo Paes após ter sido rompido pelo prefeito César Maia. A homenagem a Buchman é justíssima e vem em boa hora. Gabriel, além de excelente montanhista, era um apaixonado pelas trilhas cariocas e um idealista que sonhava com um Brasil melhor.
Só tem dois problemas. A trilha já tem um nome consolidado: Pedra da Gávea. Dificilmente os usuários começarão a chamá-la de alguma forma diferente. Além disso, o caminho já está bem sinalizado desde 1999, inicialmente pelos próprios funiconários do Parque Nacional da Floresta da Tijuca e, desde então, pelos voluntários do Grupo TerraLimpa que, diga-se de passagem, também merecem – e muito – uma homenagem pelo labor contínuo e altruísta.
Ainda assim o tributo a Buchman é válido e pertinente e o auxílio da (sub) prefeitura mais que bem vindo. Um trecho após a famigerada “carrasqueira” desabou recentemente e precisa de intervenções caras e duradouras. O Terralimpa atuou prontamente, mas o tamanho do estrago demanda mais do que um grupo voluntário é capaz de fazer. Idealmente ali deveria ser erigida uma ponte ou passarela, que daria segurança aos excursionistas e preservaria a vegetação e o solo ralo que, no local, estão para lá de maltratados. Gabriel Buchman seria um excelente nome para a obra. Em sentido figurado ele já levantou essa ponte ligando a sub prefeitura à Pedra da Gávea, agora só falta concretizar a idéia.
Leia também
Licença da Belo Sun é restabelecida, mas disputa judicial segue aberta no Xingu
Decisão do TRF1 libera instalação do projeto, enquanto Ministério Público Federal e órgãos técnicos contestam estudos e consulta indígena →
4 milhões de hectares de incerteza: do alerta à fiscalização
O Brasil ainda soma cerca de 4 milhões de hectares de desmatamento onde não há informações espaciais disponíveis à sociedade sobre autorizações ou ações de fiscalização incidentes nessas áreas →
Pesquisadores registram caso inédito de macaco-prego leucístico no Ceará
É o primeiro caso de leucismo documentado neste gênero de primatas e pode ser um alerta sobre a fragmentação do habitat, alertam os cientistas →





