Análises

Tá feia a coisa

Enquanto no Brasil as notícias dão conta dos incêndios e desmatamentos, na África a percepção da destruição da natureza é medida não em flora mas em fauna. 

Pedro da Cunha e Menezes ·
9 de setembro de 2010 · 15 anos atrás

Enquanto no Brasil as notícias dão conta dos incêndios e dos desmatamentos que inexoravelmente reduzem a cobertura do Cerrado e da Floresta Amazônica, na África a percepção da destruição da natureza é medida não em flora mas em fauna.

 
Somente na África do Sul, este ano 120 exemplares do ameaçadíssimo rinoceronte já foram eliminados para a extração de seu chifre, considerado afrodisíaco na China e no Vietnã. No mercado asiático o preço do pó feito a partir desse corno alcança valores estratosféricos. Por isso mesmo vale a pena para os caçadores investir em caros fuzis militares e até em helicópteros que facilitam a localização da vítima e a rápida evasão dos predadores.
 
Graças à mobilidade conferida pelas aeronaves, os caçadores têm conseguido evitar a fiscalização feita por meio de rádios transmissores presos aos rinocerontes. No Quênia, que também enfrenta o problema, a solução encontrada foi mover os bichões para os Parque Nacionais de Nairobi e Nakuru, ambos urbanos e mais fáceis de vigiar. Na África do Sul ainda não se sabe muito bem como combater o problema com eficiência. Em recente seminário sobre o tema, foram sugeridas medidas tais como a extração preventiva dos chifres dos animais vivos ou a remoção de todos eles para zoológicos. De concreto o Serviço de Parques Nacionais (SAN Parks) criou a Unidade Anti-Caça, prevista para ser uma espécie de BOPE da conservação (unidade semelhante opera com sucesso vestindo o uniforme do Kenya Wildlife Service). Além disso a ong Endagered Wildlife Trust estabeleceu um disque-denúncia para o qual qualquer atividade que coloque a vida de um rinoceronte em risco pode ser denunciada anonimamente.
 
Será que vai dar certo? Nunca uma frase feita aplicou-se tão bem à realidade: “Quem viver verá

 

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