Análises

O Carteiro e o Poeta

Redação ((o))eco ·
13 de outubro de 2011 · 15 anos atrás

Antonio Skármeta Record Publicado na década de 1980 primeiramente com o título da edição original em espanhol “Ardente Paciência”, este livro ganhou destaque ao servir de base para o filme italiano “Il Postino”, (em português, também traduzido para “O Carteiro e o Poeta”). Trata-se da história de um carteiro que entrega cartas de bicicleta em Isla Negra, refúgio no litoral do poeta chileno Pablo Neruda. Na tela, diálogos do livro são reproduzidos com fidelidade e ganham vida na voz do genial Massimo Troisi. Este ator napolitano, considerado um dos mais promissores do país, morreu pouco após as viagens. A diferença principal entre o livro e o filme é o contexto. No texto que serviu de base para o roteiro, Neruda vive no Chile, com toda efervescência política que marcou o país na década de 1970, incluindo o golpe militar. No filme, a história é adaptada e o poeta vive um exílio na Itália. Em ambas as obras, a bicicleta completa a poesia recorrente na qual o autor se apoia para construir uma história de amor. O livro pode ser encomendado na editora, aqui.
“Eu queria mandar a você alguma coisa mais, fora as palavras. E assim me enfiei nesta gaiola que canta. Uma gaiola que é um passarinho. É um presente que faço. Mas também queria pedir uma coisa, Mario, que só você pode cumprir. Todos os meus outros amigos ou não saberiam o que fazer ou pensariam que sou um velho caduco e ridículo. Quero que você vá com este gravador passeando pela Ilha Negra e grave todos os sons e ruídos que vá encontrando. Preciso desesperadamente de algo, nem que seja o fantasma da minha casa. A minha saúde não anda nada bem. Sinto falta do mar. Sinto falta dos pássaros. Mande para mim os sons da minha casa. Entre no jardim e faça soar os sinos. Primeiro grave esse repicar suave dos sininhos pequenos quando o vento bate neles, e depois puxe o cordão do sino maior, cinco, seis vezes. Sinos, meus sinos! Não há nada que soe tão bem como a palavra sino se a penduramos num campanário junto ao mar. E depois vá até as pedras e grave a arrebentação das ondas. E se ouvir gaivotas, grave. E se ouvir o silêncio das estrelas siderais, grave. Paris é muito bonita, mas é uma roupa que fica muito grande para mim. Além do mais, aqui é inverno e o vento revolve a neve como um moinho a farinha. A neve sobe, sobe, trepa pela minha pele. Ela me faz um triste rei com sua túnica branca. Já está chegando à minha boca, já tapa meus lábios, já não me saem as palavras”. Trecho do livro, página 83 e 84

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