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Caudas extravagantes e Ferraris, a evolução explica

O macho do Galito tem cauda que o destaca no céu durante o voo. As fêmeas prestam atenção. O equivalente humano é fazer Vrum, vrumm.

Fabio Olmos ·
9 de agosto de 2012 · 14 anos atrás
Galito (Alectrurus tricolor), fotografado no restinho de campo cerrado, em Itirapina, São Paulo. (Foto:Fabio Olmos)
Galito (Alectrurus tricolor), fotografado no restinho de campo cerrado, em Itirapina, São Paulo. (Foto:Fabio Olmos)

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Caudas, chifres, cores, formas, vozes, danças, extravagantes investimentos que, à primeira vista, tornam mais difícil a vida de seus possuidores. Todavia, em muitas espécies, são sinais utilizados pelas fêmeas para escolher parceiros de alta qualidade, que se tornarão pais dos futuros filhotes. O poder das fêmeas, a seleção sexual, é uma força evolutiva poderosa. Explica porque o galito e o pavão têm caudas extravagantes e também porque, entre os humanos, existem Ferraris.

O galito é uma ave exclusiva dos campos do Cerrado meridional na Bolívia, Paraguai, Argentina e Brasil, aqui ocorrendo em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. Da fisionomia do Cerrado, os campos são a parcela mais destruída. Tratam-se das áreas onde o Cerrado mais perdeu área para a expansão do agronegócio. Em São Paulo resta algo como 1% da área original de Cerrado, do qual a maior parte foi substituída por pastagens, laranjais (hoje em declínio devido a doenças), canaviais e plantações de eucalipto.

O galito é considerado ameaçado de extinção no Brasil e criticamente em perigo em São Paulo, onde esta foto foi feita. Itirapina, onde há uma estação ecológica, abriga alguns dos últimos remanescentes de campos cerrados do estado e também variadas espécies ameaçadas e endêmicas dessa porção quase exterminada do bioma. Um bom lugar para visitar e para avistar estas espécies enquanto elas existem.

Autor deste blog, Fabio Olmos é biólogo e doutor em zoologia. Tem um pendor pela ornitologia e gosto pela relação entre ecologia, economia e antropologia.

 

  • Fabio Olmos

    Biólogo, doutor em zoologia, observador de aves e viajante com gosto pela relação entre ecologia, história, economia e antropologia.

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