![]() |
“Antes de ser derrubada, cada grande árvore da Amazônia é capaz de evaporar 300 litros de água por dia”, conta Gérard Moss, um dos idealizadores do projeto Rios Voadores. Essas árvores fazem parte do sofisticado mecanismo que transporta a umidade e gera as chuvas sobre a própria região Amazônica e, mais tarde, sobre as regiões centro-oeste, sudeste e sul do Brasil.
As grandes massas de ar úmido vêm do leste, da África. Trazidas pelos ventos alísios, caminham sobre o Atlântico até ganhar o continente e chegar à floresta amazônica, onde se transformam em chuva. O projeto se chama Rios Voadores porque essas massas funcionam como rios invisíveis transportando uma quantidade de água de 200 mil metros cúbicos por segundo, grandeza equivalente a vazão do rio Amazonas.
A floresta é generosa. Ela recebe as águas mas também as recicla através de suas árvores. A umidade retorna ao ar e, no seu caminho, é comprimida contra a barreira da cordilheira andina a oeste. Esta a obriga a mudar de rumo e viajar para o sul, influenciando o clima e o volume de precipitação até a bacia do rio da Prata.
O desmatamento pode mudar o curso dos rios voadores. À medida que fazendas de soja substituem a floresta amazônica, a corrente de transmissão dos rios voadores se quebra, com impactos difíceis de mensurar sobre o regime de chuvas de grande parte do continente.
O projeto se apoia no trabalho de pesquisadores como Antonio Donato Nobre, um dos idealizadores do projeto, e Eneas Salati, estudioso do fenômeno há 30 anos. Gérard e Margi Moss cruzam o país em pequenos aviões coletando material e documentando o trabalho com belas imagens, como as que os leitores podem apreciar nessa página.
Desde 2007, centenas de amostras de vapor d’água da Amazônia e de outras regiões do país foram coletadas. O acúmulo de dados ajudará na compreensão dessas magníficas e translúcidas massas de água e, também, dos efeitos que o desmatamento acelerado das últimas décadas possa ter sobre elas. É um conhecimento crucial para determinar quando, como e onde chove no Brasil.
Araguaia: jóia ameaçada |
Guaporé, refúgio amazônico |
O Juruena que não volta |
Majestosos rios da Amazonia |
Leia também
Após pressão da pesca de camarão, governo adia para 2027 entrada em vigor do PREPS
Criado há 20 anos, adesão ao Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite ainda sofre adiamentos →
Mais dois filhotes! Onça-pintada aparece com novas crias no Parque Nacional do Iguaçu
Onça Janaína, monitorada desde 2018 pelo Projeto Onças do Iguaçu, é flagrada por armadilhas fotográficas com dois novos filhotes e chega a um total de cinco em sete anos →
Quem paga a conta do clima?
Reprodução de discursos coloniais silenciam os impactos desiguais causados pela crise climática; Estudo do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental analisa discursos sobre justiça climática →




Araguaia: jóia ameaçada
Guaporé, refúgio amazônico
O Juruena que não volta
Majestosos rios da Amazonia 
