Análises
19 de abril de 2005

Rodeios

De Sílvia Luiza Lakatos34 anos, jornalista, São Paulo, SPPrezada Sílvia Pilz,A única coisa certa que você escreveu no seu texto foi acerca da brutalidade e violência infligidas aos chamados "animais de consumo". Como vegetariana convicta e ativista pela causa dos animais, sinto-me à vontade para questioná-la acerca de um outro ponto: o fato de certos animais sofrerem mais do que as vítimas dos rodeios, torna legítimo o uso de aparelhos de tortura (sedem, peiteira, esporas) contra os cavalos e touros escravizados nestes espetáculos? Aliás, é por causa da dor provocada por estes instrumentos, habilmente manejados pelos peões, que os animais saltam, e não porque achem isso "divertido". De qualquer modo, o fato de alguns animais sofrerem mais do que outros não torna qualquer forma de tortura menos cruel. Crer nisso seria como dizer que, uma vez que existem crianças abandonadas e jovens confinados na FEBEM, os pais de família ricos e que oferecem conforto material a suas crianças têm o direito de espancá-las e castigá-las.A novela AMÉRICA e o recente episódio envolvendo o publicitário Duda Mendonça são fatos emblemáticos, que dão aos poucos brasileiros engajados na luta pela defesa dos animais a chance de levantar bandeiras e conclamar a população a refletir sobre a nossa relação com seres não-humanos. Não sei se a senhora viu o que uns jovens nefastos fizeram recentemente, a uma cadelinha grávida, em Pelotas (RS)... Eles a amarraram no pára-choques do automóvel e a arrastaram, viva, pelas ruas, até esfacelarem completamente a pobrezinha, matando-a e também aos filhotes que ela trazia no ventre... Fizeram isso por "diversão". Enquanto as pessoas acharem que é divertido torturar e matar animais, nossa sociedade não se tornará menos violenta. O desrespeito começa assim -- nos rodeios, nas rinhas, nas touradas, nas vaquejadas, nos tiros de chumbinho contra o gato do vizinho... E vai culminar no aumento da criminalidade, na dessensibilização, em estupros, em assassinatos. O abuso e a crueldade contra os mais fracos são a porta de entrada para todos os males.Lamento que alguém tenha feito menções desrespeitosas à filha morta de Glória Perez. Esta atitude não foi e jamais seria típica das pessoas ligadas aos grupos ativistas que conheço. Talvez tenha sido até obra de algum provocador infiltrado, ou simplesmente de uma pessoa tola e insensível, que confundiu engajamento com discurso atabalhoado e violência gratuita. Posso lhe assegurar que não concordamos com nada disso.Enfim, espero que um dia todos sejam respeitados, independentemente da quantidade de patas que possuem, da capacidade de usar os polegares opositores ou do nível de Q.I.Grata pela atenção,Resposta da colunista:Prezada Silvia Não acredito que eu e você discordemos. Exceto num ponto. Sou contra o marketing de oportunidade para levantar bandeiras políticas. Corre-se o risco de imaginar que os problemas são pontuais e isolados.

Por Redação ((o))eco
19 de abril de 2005
Notícias
18 de abril de 2005

Quem dá mais?

A ong americana Save the Earth aproveitou o engajamento de grupos de rock como AC/DC, Metallica, U2 e Red Hot Chili Peppers, e cantores como Beyoncé e Eminem para levantar fundos para seus projetos de pesquisa e educação ambiental. Até o dia 25 de abril, a instituição está leiloando objetos doados pelas celebridades em seu site. Entre as preciosidades estão pôsteres, discos, guitarras e microfones autografados. No Dia do Planeta Terra, 22 de abril, os norte-americanos, além de dar lances on-line, podem participar do leilão telefonando para as principais estações de rádio do país. A peça mais valorizada até agora é um quadro com quatro discos dos Bealtles autografados por todos os integrantes, cujo maior lance alcançou a bagatela de 15 mil dólares.

Por Ana Redação ((o))eco
18 de abril de 2005
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18 de abril de 2005

Elas por elas

De Pedro P. de Lima-e-SilvaEngenheiro AmbientalServiço de Segurança Radiologica e AmbientalComissão Nacional de Energia Nuclear Cara AnaÓtima reportagem, e chamo a atenção de um registro histórico que aparentemente se perdeu no tempo. Se você procurar no Clube Excursionista Carioca ou no Centro Excursionista Rio de Janeiro encontrará o registro - eu espero - da conquista de uma via nas Cagarras feita por quatro meninas.Bom, até aí parece normal, né não? Não, porque elas não só foram até lá e fizeram a conquista, como o fizeram de caiaque individual, cruzando várias vezes essa faixa de oceano naquelas "casquinhas de esquimó". Legal? Não lembro do nome de todas, mas havia a Valéria Conforti e a filha do JorgeWhite, a Kátia que acho era do CERJ e a Simone, a atleta do caiaque. Valéria está fazendo mestrado em Onça Parda nos EUA, e a Simone até onde sei, continua por aí "caiacando"; a última vez que a vi tinha um projeto de fazer a costa brasileira do Rio a Salvador de caiaque.Na época, acompanhei essa idéia nascendo no CEC, e me lembro da alegre excitação delas, e me lembro também de muito marmanjo chamando aquilo de maluquice feminista, e dizendo bobagens como "os tubarões vão se dar bem". Bom, se havia tubarões, ficaram com fome.Hoje sabemos que não se pode mais desembarcar nas Cagarras devido a leis ambientais, mas de qualquer forma seria um resgate importante o dessa história, na qual quatro meninas, e eram meninas mesmo à época, entre 16 e 20 e poucos anos, tiveram uma idéia meio doida, mas bela, e a levaram até o fim, na década de 1980, quando esse tratamento igualitário dos sexos ainda era só pretensão em muitas áreas da nossa sociedade.abs,

Por Redação ((o))eco
18 de abril de 2005
Notícias
18 de abril de 2005

Despedida

O site argentino EcoWeb saiu do ar depois de oito anos produzindo notícias ambientais sobre a América Latina. Apesar das mais de mil visitas diárias, problemas financeiros impediram a continuidade do trabalho. Para quem quiser manter um registro da memória do site, os organizadores oferecem três arquivos em PDF com sua produção: Notas, Legislação Argentina e Legislação Internacional. Além disso, estão distribuindo um CD com todo o conteúdo publicado desde 1996.

Por Ana Redação ((o))eco
18 de abril de 2005
Fotografia
15 de abril de 2005

Araçari-banana

Refestelado nos cachos de frutos da palmeira exótica, o Araçari-banana nativo (Baillonius bailloni) foi fotografado por Marcos Sá Corrêa no Parque...

15 de abril de 2005
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14 de abril de 2005

Bicicleta no mato

De Gustavo JanerEditor,Agradeça MUITO ao Pedro pela coluna... acabei de ler e tenho que admitir que concordo plenamente com tudo que ele disse. É uma pena que em uma cidade abundante de natureza como o RJ exista esta carência de consciência coletiva sobre os mínimos cuidados com as nossas trilhas...  quem perde somos nós... enfim, agradeça ao Pedro.

Por Redação ((o))eco
14 de abril de 2005
Análises
14 de abril de 2005

Aqui se faz… II

De Claudio Cisne Cid Silvia:Ao ler seu texto sobre a nova febre evangélica mais uma vez deliciei-me com seus comentários, e a pergunta implícita feita por você a todos nós: Na terra do “There’s no free lunch”, qual a real razão dessa nova “febre” ecológica por parte de tais líderes? Não que a ajuda seja mal-vinda, muito pelo contrário, mas como a própria história nos mostra, uma certa desconfiança é até saudável diante de tanto entusiasmo...Curioso notar também que alguns leitores ofenderam-se com suas colocações, como se seu intuito fosse ofender a quem é evangélico ou mesmo “colocar todos os gatos no mesmo saco” , já que a sua crítica foi de líderes que nem mesmo moram aqui... Espero que tais críticas não lhe influenciem, pois num mundo de textos enlatados, é bom saber que alguém ainda consegue ler nas entrelinhas.

Por Redação ((o))eco
14 de abril de 2005
Notícias
14 de abril de 2005

O estado da Amazônia

A evolução da indústria madeireira na Amazônia Legal nos últimos 6 anos mostra que a atividade é economicamente competitiva, gera empregos, mas também acelera a destruição da floresta pelo baixo índice de manejo florestal. Segundo um artigo publicado pelo Imazon, 6,2 milhões de árvores foram cortadas na região em 2004, mas uma maior eficiência no processamento da madeira levou a preservação de 950 mil árvores. Por outro lado, nos últimos anos o setor abriu milhares de quilômetros de estradas endógenas mata adentro, criando sérios impactos ambientais e socioeconômicos. No centro-oeste do Pará, maior produtor de madeira do país, 82% das estradas existentes em 2001 na região foram construídas em áreas florestais, sem planejamento e autorizações exigidas por lei. O avanço das estradas endógenas na Amazônia é o tema de um dos documentos publicados pelo Imazon para marcar o início da série "O estado da Amazônia".

Por Redação ((o))eco
14 de abril de 2005
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13 de abril de 2005

Comentários para Frederico Brandini

De Eline SimõesPrezado Professor Frederico, Meu nome é Eline, moro no Rio, sou bióloga e atualmente estudante do tecnólogo de controle ambiental na CEFET/RJ. Venho acompanhando suas matérias no "O ECO", e desta última data dia 10/04, sobre os despejos no oceano chamou muito a minha atenção, e vou explicar pq. Bom Professor, neste curso que venho fazendo, encontramos muitos profissionais bem técnicos, como engenheiros e afins. E durante uma das aulas foi levantada a questão dos emissários submarinos, especialmente o da Barra da Tijuca. Foi argumentado que o uso dos emissários, com o lançamento de esgoto in natura, não causava impactos ambientais em nível de contaminação. Foi dito que para o lançamento do esgoto, é calculado levando em consideração as correntes marítimas a fim de dispersar e diluir, e que os agentes patogênicos não resistem ao Sol e nem a salinidade. E que devido a esses fatores, a utilização de emissários é uma forma viável economicamente e que não acarreta prejuízos ecológicos para o tratamento do esgoto.Contudo, não acredito nesta hipótese, pois acredito que há sim um impacto ambiental e que a utilização de emissários para tratamento é só mais uma forma de tratar, mas sem resolver o problema.No entanto, não tenho dados que possam embasar essa minha afirmativa, na verdade, gostaria de consulta-lo se realmente isso é fato. Se puder sugerir alguma bibliografia que eu possa ler sobre esse assunto, e que possua dados confiáveis sobre o impacto dos emissários seria de grande valia.Se puder me ajudar eu seria muito grata, pois venho levantando uma série de questionamentos ambientais na disciplina q venho cursando, e meu prof. afirma que são coisas de 'eco-chatos'. Ele é engenheiro. Mas não tenho nada contra engenheiros, ok!Enfim, desde já agradeço,

Por Redação ((o))eco
13 de abril de 2005
Notícias
12 de abril de 2005

Na Justiça

A Procuradoria do Ibama no Rio de Janeiro interpelou judicialmente o ambientalista Ivan Marcelo Neves, da ong Sapê, de Angra dos Reis (RJ), por suas declarações na reportagem "Inferno astral", publicada no dia 13 de março pelo O Eco. A ação, encaminhada pela Justiça Federal, pede que Ivan se explique sobre as acusações que fez contra a instituição e seu gerente-executivo no Rio de Janeiro, Edson Bedim. A interpelação foi movida pelo Ibama no dia 1° de abril. No dia 8, a ong Sapê divulgou na Internet uma carta em que critica o que chama de "intimidação de ambientalistas" por parte do órgão público (leia a carta, em PDF).

Por Redação ((o))eco
12 de abril de 2005
Notícias
12 de abril de 2005

Não vazou

Cerca de 50 cilindros clandestinos de gás CFC 12 (diclorodifluormetano) foram apreendidos nesta terça-feira em Olímpia, interior de São Paulo. Foi a maior apreensão deste tipo já realizada no estado e possivelmente no país, já que ainda não existem registros oficiais do tráfico da substância em território nacional. O CFC 12 é considerado um dos gases mais prejudiciais à camada de ozônio e sua comercialização no Brasil só é concedida a empresas autorizadas. Mesmo assim, sua importação tem data para acabar: 2007, quando expira o prazo estabelecido no Protocolo de Montreal, orientando a substituição do gás, muito usado em equipamentos de refrigeração, por outros menos danosos à atmosfera. “Para agravar mais a situação, os botijões apreendidos eram reutilizáveis, o que torna o gás mais suscetível a vazamentos” esclarece o chefe de fiscalização do Ibama de São Paulo, Luis Antônio Gonçalves de Lima. A Polícia Federal e o Ibama ainda investigam a procedência do produto, mas a suspeita é que tenha vindo do Paraguai pela fronteira, em Mato Grosso do Sul. O motorista da caminhonete que transportava a carga foi multado em R$ 20 mil e está detido na cidade.

Por Redação ((o))eco
12 de abril de 2005