Gargalo

Não fosse por uma breve menção do ministro Roberto Rodrigues, o meio ambiente teria sido solenemente ignorado durante um dia inteiro de debates no seminário "Desenvolvimento do Setor Agropecuário e Inclusão Social", realizado nesta terça-feira na Câmara dos Deputados. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento abriu o evento e durante quase duas horas exaltou a posição do Brasil no mercado agrícola internacional e disse esperar uma safra recorde de 130 milhões de toneladas de grãos para o próximo ano. Lá pelas tantas, enumerou "os sete gargalos" que dificultam o escoamento da produção agrícola nacional. O sétimo era a legislação ambiental, que segundo ele "deve ser revista no Brasil". Principalmente "na lentidão relacionada a obras como hidrovias". E ficou por isso mesmo.

Por Matheus Leitão Lorenzo Aldé
14 de dezembro de 2004

Passivo ambiental

Mais da metade dos 2600 postos que funcionam no Rio de Janeiro não têm licença ambiental. Outro terço já pediu a licença aos órgãos competentes, mas ainda não conseguiu a papelada. Resultado, segundo O Globo (gratuito, pede cadastro), é que pelo menos 90% dos postos da cidade não deveriam estar funcionando. A falta do papel, em grande parte, deve-se a decisão de donos de postos de não fazerem as obras necessárias para adaptar seus postos ao que exige a atual regulamentação. Sai caro e como não há fiscalização, preferem continuar irregulares. É mais barato.

Por Carolina Elia
14 de dezembro de 2004

Historinha

O Ibama acusa a INB (Indústrias Nucleares do Brasil) de ter burlado a lei para iniciar a construção da uma mina de urânio no Ceará. A Folha de São Paulo (só para assinantes) conta que a estatal pediu a licença da obra para a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), que não tem poder para autorizar atividades com materiais radioativos. A INB disse que procurou o órgão estadual porque o seu principal objetivo é explorar fosfato em vez de urânio, mas o Ibama considerou a justificativa uma desculpa esfarrapada.

Por Carolina Elia
14 de dezembro de 2004

Fauna na moda

Começou esta semana no Metropolitan Museum, em Nova Iorque, uma das exposições mais politicamente incorretas dos últimos tempos. Chama-se “Selvagem: a Moda Indomável” e mostra uma centena de pecas de roupa, casacos e acessórios feitos com penas, peles ou ossos – inclusive artificiais – de animais. Tão curiosa quanto a exposição, que tem peças belíssimas, foi a ausência de qualquer protesto por parte de ativistas anti-peles na noite de sua inauguração. Como diz o The New York Times (gratuito, pede cadastro) é sinal de que peles e penas em roupas estão novamente se tornando aceitáveis.

Por Manoel Francisco Brito
10 de dezembro de 2004

Tubarão no shopping

A ExpoTuba se intitula a única exposição de tubarões vivos do país. Provavelmente um exagero. Mas há de ser, sim, a única chance de encontrá-los dentro de um shopping center. Até o dia 5 de janeiro, quem vai ao Mauá Plaza Shopping, no interior de São Paulo, tem a chance de se desintoxicar das onipresentes decorações natalinas ao dar de cara com um aquário de 15 mil litros de água salgada recheado com várias espécies de tubarão. Em outro tanque, adultos e crianças podem até tocar os filhotes, orientados por biólogos. Quem quiser fugir de vez das compras pode ficar para assistir a vídeos ou ver uma mostra sobre os tubarões. E conhecer outros aquários, com animais de água doce e salgada, como ouriços, cavalos marinhos, estrelas-do-mar, piranhas, baiacus e garopas.

Por Lorenzo Aldé
10 de dezembro de 2004

Sem combustível

O trabalho dos três fiscais do Parque Estadual do Jalapão, um dos mais bonitos e visados do Tocantins, foi sabotado esta semana por falta de combustível. Segundo o diretor das Unidades de Conservação do estado, Jorge Leonam, o pedido de verba foi feito há 2 meses, mas até agora nada. O parque conta com dois carros: um está na revisão e o outro com o tanque vazio. Aos fiscais restaram apenas as próprias pernas para patrulhar 158 mil hectares compostos de caatinga e dunas. Segunda-feira, uma equipe do Ministério do Meio Ambiente vai visitar o parque para avaliar o desenvolvimento do ecoturismo na região. Para eles não ficarem a pé, o pessoal da Unidade de Conservação está tentando arranjar combustível emprestado.

Por Carolina Elia
10 de dezembro de 2004

Pobre Chaco

A segunda maior região natural da América Latina está sofrendo os efeitos do desequilíbrio ambiental. É o "Grande Chaco", que ocupa 1 milhão de quilômetros quadrados e se espalha pela Argentina, Paraguai e Bolívia. Notícia do Clarín (gratuito) fala de um estudo apresentado na Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP10), em Buenos Aires, apontando a vulnerabilidade do Chaco às alterações do clima. Numa área já degradada pelas pressões humanas, com população em sua maioria pobre, campeiam o desmatamento, as queimadas e a produção intensiva de soja. Nas regiões secas, 15 milhões de hectares estão comprometidos. A terra arrasada sofre com a mudança do regime de chuvas: por um lado as secas são mais freqüentes, por outro aumentou a incidência e a violência das tempestades, gerando enchentes como a que devastou o Chaco argentino em 2002.

Por Lorenzo Aldé
10 de dezembro de 2004

Perdida

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, às vésperas de sua partida para Buenos Aires, ainda consultava gente ligada à área ambiental tentando descobrir o que iria dizer na Conferência.

Por Redação ((o))eco
9 de dezembro de 2004