Ibama roda a baiana

Esta semana, o Ibama pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para "desobrigar-se" de fiscalizar empreendimentos em Salvador (BA), como determinou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) frente a ação civil pública ajuizada por instituições baianas como Crea, a Associação de Imprensa e Instituto de Arquitetos do Brasil, que discutem o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano da capital. Segundo elas, o documento pode causar degradação ambiental e, agora, apontam que o Ibama está sendo omisso, permitindo obras que causarão danos ao meio ambiente. O órgão alega que tem poucos servidores, excesso de trabalho e que lhe cabe apenas atuar em casos na esfera federal. As entidades pedem, inclusive, a prisão do superintendente do Ibama na Bahia, caso a decisão do TRF1 seja descumprida. O caso é analisado pelo STF.

Por Salada Verde
31 de outubro de 2008

Produção crescerá no campo

Seguindo firme no destino imputado de "celeiro do mundo", o Brasil projeta mais produção agropecuária na próxima década. Conforme números divulgados ontem pelo Ministério da Agricultura, a produção de soja, milho, trigo, carnes e etanol deve crescer 29% no período. Segundo o estudo Projeções do Agronegócio Brasil 2008/2009 a 2018/2019, o país se manterá na primeira posição como exportador mundial de carnes bovina e de frango. Tamanho crescimento poderia ocorrer sobre pastagens degradas, mas o órgão governista pouco toca no assunto.

Por Salada Verde
31 de outubro de 2008

Trilhos para escoamento

Por outro lado, o Ministério da Agricultura avalia que expandir e colocar em dia a alquebrada malha ferroviária nacional será um bom negócio para transortar a produção do setor agropecuário. Pena que o governo comece a despertar só agora para esse potencial, menos poluente e menos ameaçador ao verde da Amazônia, como apontam entidades não-governamentais e pesquisadores.

Por Salada Verde
31 de outubro de 2008

A favor do governo

Nesta quarta-feira, o pesquisador do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente da Coppe-UFRJ, Emílio Lèbre La Rovere, disse que concorda com a posição do governo brasileiro de não aceitar metas internacionais de redução das emissões de carbono. “É o princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada. E o país já tem boas ações internas, como o Plano de Combate às Mudanças Climáticas”, opinou. Esse plano tem sido fortemente criticado pela maioria das organizações da sociedade civil que lidam com o assunto, justamente por não enxergarem eficiência das ações sem metas definidas para redução das emissões oriundas de desmatamento. A exposição de La Rovere aconteceu ontem durante o primeiro dia do “I Seminário de Vulnerabilidade e Adaptação Pública e Empresarial Frente às Questões Ambientais e Sociais Contemporâneas”, no Rio de Janeiro.

Por Salada Verde
30 de outubro de 2008

Cenário catastrófico para a Baía de Guanabara

Gleide Lacerca, pesquisadora do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Climáticas da Coppe, mostrou o que aconteceria com uma ilha na Baía de Guanabara caso o nível do mar aumente até 2100. No cenário mais pessimista, as águas subirão 5,8 metros e “devem invadir a porção de terra a tal ponto que os prejuízos podem chegar a cerca de 50% do valor total do bem, ocupado hoje por uma empresa de petróleo”, completou. Gleide não quis dizer o nome dessa ilha, foco de sua pesquisa bancada pela União Européia.

Por Salada Verde
30 de outubro de 2008

Parque de Carbono no Rio de Janeiro

A secretária de meio ambiente do Rio, Marilene Ramos, anunciou que busca mais adesão de pessoas jurídicas e empresas para consolidar o Parque de Carbono, numa área degrada de 1.340 hectares dentro do Parque Estadual da Pedra Branca. O terreno é oferecido quem tem interesse em bancar o seu reflorestamento. Para isso, deve-se arcar com todos os custos de plantio e manutenção. “Em 60 anos, podemos seqüestrar 168 mil toneladas de gases estufa da atmosfera. Isso nos daria, com os valores atuais do mercado de carbono, cerca de dez milhões de reais”, defendeu. O cineasta Walter Salles já aderiu. Disse que planta cinco hectares lá.

Por Salada Verde
30 de outubro de 2008

ONGs verdes do avesso

Em entrevista à revista Época dessa semana, a jornalista americana Christine MacDonald, autora do polêmico livro “Green, Inc.” explicou o que a levou a contar os “podres” das grandes ONGs ambientais. A história começou quando ela foi demitida da Conservação Internacional depois de apenas quatro meses de trabalho. A partir daí, partiu para investigar a história deste tipo de organização e se deparou com ações absolutamente incompatíveis com as propostas de preservação. Segundo ela, muitas não-governamentais recebem doações de empresas com altos passivos ambientais e se aliam a elas. O mesmo vale para governos ditatoriais. Há também trocas constantes de profissionais entre o terceiro setor (que recebem altos salários e mordomias) e a iniciativa privada.

Por Salada Verde
30 de outubro de 2008

Conservação em terras privadas

Hoje é o último dia para envio de trabalhos para a mostra “Conservação em terras privadas nas Américas”, a ser realizada no Rio entre 10 e 12 de dezembro. O evento se propõe a reunir interessados para troca de experiências relacionadas ao pagamento de serviços ambientais, recuperação de reservas legais, ecoturismo e temas afins.

Por Salada Verde
30 de outubro de 2008

Licença meia-sola

O jornal Valor Econômico de hoje divulga que Carlos Minc autorizou o Consórcio Enersus a montar, semana que vem, os primeiros canteiros de obras para desvio do Rio Madeira (RO) e construção da usina de Jirau. Isso, claro, na posição nove quilômetros acima da original, como anunciou o empreendedor após vencer o leilão da Aneel.

Por Salada Verde
29 de outubro de 2008

Eles querem metas climáticas

Como desmatamento tem tudo a ver com mudanças do clima e é a principal fonte emissora nacional de gases estufa, o ministro Carlos Minc receberá hoje um manifesto assinado por várias entidades civis "exigindo" que o Brasil assuma metas "quantificáveis, reportáveis e verificáveis" para diminuir o lançamento desses poluentes. A expectativa de entidades como Fundação O Boticário, Governos Locais pela Sustentabilidade (Iclei), Greenpeace, Instituto de Pesquisas da Amazônia (Ipam) e SOS Mata Atlântica é de que isso se torne realidade já na primeira versão do Plano Nacional de Mudanças Climáticas. Confira o manifesto aqui.

Por Salada Verde
29 de outubro de 2008

Amazônia perde meia Rio de Janeiro

Um total de 587 quilômetros quadrados de florestas na Amazônia sofreram corte raso ou "desmatamento progressivo" em setembro, conforme números divulgados há pouco pelo federal Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área é semelhante à metade da capital carioca. Os dados são oriundos do Sistema Deter, que observa derrubadas com mais de 25 hectares. A cobertura de nuves regional também prejudica uma avaliação mais fiel das perdas de vegetação. Da área apontada pelo governo, 216 Km2 ficam na conta do Mato Grosso e 127 Km2 na do Pará. Maranhão, Rondônia e Amazonas são responsáveis, respectivamente, por 97 Km2, 91,5 Km2 e 46 Km2. Os demais estados tiveram pouco ou nenhum desmatamento registrado no período. Confira aqui o boletim completo do Inpe.Veja mais reportagens e notasCampeões do corteCem mais, nem menosMenos 756 Km2 na Amazônia Pressão sobre a mata no Amazonas

Por Salada Verde
29 de outubro de 2008

Desertificação fora da agenda

E por falar em Caatinga, o bioma registra a maioria das regiões semi-áridas nacionais, sérias candidatas à desertificação se o desmatamento prosseguir e o clima ficar de mau humor. O Brasil era forte candidato a sedir a próxima conferência mundial sobre desertificação, mas desistiu da empreitada. Os motivos não são muito claros, mas um parecer do Ministério do Meio Ambiente, baseado em avaliações do Ministério das Relações Exteriores, cita que "Apesar de a Convenção de Combate à Desertificação possuir grande relação com a política internacional do Governo Federal de aproximação com os países da África, América Latina e com o tema de combate à fome, há que se avaliar se o MMA tem interesse e capacidade de lidar com eventual aumento da demanda desses países". E ainda, que a convenção é "considerada fraca, pobre e sem recursos adequados para apoiar os mais necessitados". Isso que o presidente Lula é pernambucano de Garanhuns.

Por Salada Verde
29 de outubro de 2008