Para quem gosta de programas concretamente ambiciosos, saiu o guia 2005 das 11 melhores trilhas do planeta. O autor Peter Potterfield fez uma volta ao mundo em 8 mil quilômetros de picadas e elegeu roteiros de sonho para se fazer com os pés no chão. Está na edição deste mês da Adventure, a revista da National Geographic sobre esportes ao ar livre.
Trata-se de aventura um tanto fora da escala humana. Mas vem embalada pela modéstia do título “Caminhadas Clássicas”. E espreme-se em apenas 12 páginas, incluindo texto, fotografias espetaculares, mapas, serviços turísticos e até palpites de algibeira – do tipo “leve estufa e saco de dormir para temperaturas extremas”, se vai encarar os 442 quilômetros e quebrados da Kungsleden, dormindo ao sol da meia-noite, enquanto atravessa geleiras, tundras e montanhas muito acima do Círculo Ártico, no extremo norte da Suécia.
A Kungsleden, “rainha das trilhas”, resume a participação da Europa na reportagem. Em contraste, feita por uma publicação internacional que é editada por americanos, os Estados Unidos emplacaram na lista nada menos que quatro roteiros, do Alasca ao Havaí. A África comparece com a escalada do Kilimanjaro, na Tanzânia. A Oceania, com a picada Routebourn, na Nova Zelândia. A Ásia com a subida ao campo base do Everest, no Nepal. A Antártida, com a odisséia do explorador Ernest Shackleton no gelo da Geórgia.
Do Brasil a Adventure passa ao largo. Mas aporta na Argentina, graças ao circuito do monte Fitz Roy no Parque Nacional de los Glaciares – cujos méritos ninguém discute, mesmo nestes tempos de rivalidade no Mercosul, turbinada pelos políticos de Brasília e de Buenos Aires. Mas é claro que qualquer andarilho mais ou menos tarimbado está livre para lamentar a ausência de suas trilhas preferidas no cardápio da revista.
Estão aí os 36 quilômetros de parque nacional na Garganta da Samária, que não nos deixam mentir. Perfumados em todo o percurso pelos pinheiros e ciprestes que o sol do Mediterrâneo cozinha numa infusão de resina, eles são uma das raras viagens de ida e volta que se pode fazer a pé, num só mesmo dia, entre um banho de mar, nas águas transparentes da praia de Agia Roumeli, e um planalto nevado, em Omalos, sobre a ilha de Creta. Se a Samária não é uma “caminhada clássica”, Sócrates e Platão podem ser dupla sertaneja.
Mas os lugares que a Adventure indicou sem dúvida “valem o desvio”, como diria o guia Michelin. Como o Buckskin Gulch, no Utah, que tem quase 21 quilômetros de labirintos subterrâneos, esculpidos pela água numa rocha rosada que o sol penetra como luz de catedral. Convém lembrar que há trechos estreitos, onde só se passa sem a mochila, e convém não ser apanhado lá embaixo por uma enxurrada.
A trilha John Muir, na Califórnia, liga os parques de Yosemite, Kings Canion e Sequoia por vales e montanhas onde os carros não entram na Serra Nevada. Seguindo as pegadas do velho eremita que ensinou os americanos a gostar do mato no século XIX, ela tem cerca de 340 quilômetros e diversão para no mínimo três semanas. Aviso: cuidado com os ursos, ou sua matula não vai dar para o gasto.
Nada na lista é para tirar de letra. A Kalalau, costeando o Havaí, termina num trecho a pino, “que em dias de chuva os mochileiros vencem de gatinhas”. Lembrete: chove quase sempre, e muito, na Kalalau. É uma trilha classificada como grau 4, numa escala de dificuldade que vai de 1 a 5 e deu ao campo base do Everest a nota 4.5.
Grau 5, no duro, é o Passo McGonagall, contornando o monte McKinley no parque nacional de Denali. Em compensação, o acampamento no Wonder Lake durante o trajeto dá direito, segundo a revista, “a um dos cenários mais transformadores do continente”. Recomenda-se enfrentar o McGonagall no fim de agosto, alto verão no Alasca, para evitar a “praga do mosquito”.
E isso é só o aperitivo. Antes de amarrar as botas, para ver a lista completa e ler trechos da reportagem, clique aqui.
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