No Brasil, pensar a longo prazo é coisa rara. Há décadas vivemos da mão para a boca em matéria de políticas públicas, sempre dominadas pela conjuntura, sempre prisioneiras do curto prazo. O horizonte das políticas se encurtou ainda mais com a hiperinflação. Até hoje, continuamos pensando o presente, quando não fazemos políticas olhando pelo retrovisor. O economista João Batista Tezza, diretor técnico e científico da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma das exceções a essa regra. “Na minha visão, esse projeto amadurece em 15 ou 20 anos”, me disse ele, numa pequena praia nas margens do rio Negro, entre Manaus e as Anavilhanas, sob o sol de quase meio-dia. Não era delírio gerado pelo calor. O projeto da Fundação Amazônia Sustentável não é simples, nem pode ser realizado de um dia para outro: conceituar, integrar e valorizar cadeias produtivas de serviços ambientais, no conjunto de unidades de conservação do estado do Amazonas, para obter o desmatamento zero e, na ponta final, créditos de carbono que possam ser comercializados no mercado voluntário.
O investimento na formação dessas cadeias de serviços ambientais tem um nome que soa a populismo: “bolsa floresta”. Na verdade, são várias bolsas: o “bolsa floresta familiar”, o “bolsa floresta associação”, o “bolsa floresta renda” e o “bolsa floresta social”. O familiar, corresponde à “recompensa” paga às mães de famílias moradoras em unidades de conservação pelo compromisso de conservar a floresta. O “bolsa associação” quer fortalecer as associações de moradores e “formar capital social”. O “bolsa renda” se destina a apoiar a produção sustentável e o “bolsa social”, é destinado a financiar ações de educação, saúde, comunicação e transportes.
P.S. Míriam Leitão fez imagens de vídeo dessa passagem pelas Anavilhanas e pelo Jaú. Veja uma prévia do vídeo, com imagens e narração de Míriam Leitão e editado por mim, aqui e a versão final no blog que ela mantém, no Globo On line.
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