Colunas

Diamante negro

O Amazonas, embora um dos estados com maior cobertura florestal preservada, não escapa à devastação. Por isso o experimento da Fundação Amazônia Sustentável merece atenção.

19 de julho de 2008 · 18 anos atrás
  • Sérgio Abranches

    Mestre em Sociologia pela UnB e PhD em Ciência Política pela Universidade de Cornell

No Brasil, pensar a longo prazo é coisa rara. Há décadas vivemos da mão para a boca em matéria de políticas públicas, sempre dominadas pela conjuntura, sempre prisioneiras do curto prazo. O horizonte das políticas se encurtou ainda mais com a hiperinflação. Até hoje, continuamos pensando o presente, quando não fazemos políticas olhando pelo retrovisor. O economista João Batista Tezza, diretor técnico e científico da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma das exceções a essa regra. “Na minha visão, esse projeto amadurece em 15 ou 20 anos”, me disse ele, numa pequena praia nas margens do rio Negro, entre Manaus e as Anavilhanas, sob o sol de quase meio-dia. Não era delírio gerado pelo calor. O projeto da Fundação Amazônia Sustentável não é simples, nem pode ser realizado de um dia para outro: conceituar, integrar e valorizar cadeias produtivas de serviços ambientais, no conjunto de unidades de conservação do estado do Amazonas, para obter o desmatamento zero e, na ponta final, créditos de carbono que possam ser comercializados no mercado voluntário.

O investimento na formação dessas cadeias de serviços ambientais tem um nome que soa a populismo: “bolsa floresta”. Na verdade, são várias bolsas: o “bolsa floresta familiar”, o “bolsa floresta associação”, o “bolsa floresta renda” e o “bolsa floresta social”. O familiar, corresponde à “recompensa” paga às mães de famílias moradoras em unidades de conservação pelo compromisso de conservar a floresta. O “bolsa associação” quer fortalecer as associações de moradores e “formar capital social”. O “bolsa renda” se destina a apoiar a produção sustentável e o “bolsa social”, é destinado a financiar ações de educação, saúde, comunicação e transportes.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



P.S. Míriam Leitão fez imagens de vídeo dessa passagem pelas Anavilhanas e pelo Jaú. Veja uma prévia do vídeo, com imagens e narração de Míriam Leitão e editado por mim, aqui e a versão final no blog que ela mantém, no Globo On line.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
3 de julho de 2026

Tuberculose mata três macacos no Cetas-RJ; centro está em quarentena

Confirmação da doença que levou a óbito macacos-pregos no Cetas de Seropédica leva Ibama a estender suspensão no recebimento de novos animais

Salada Verde
3 de julho de 2026

PL que retarda ação de órgãos ambientais por dois anos tem urgência aprovada

Proposta de deputado do PL prevê que órgãos ambientais aguardem dois anos para aplicar medidas como embargos e apreensões em propriedades de até 560 hectares

Salada Verde
3 de julho de 2026

Enchentes do Rio Grande do Sul fundamentam novo conceito para identificar áreas de risco

Chamada de Zona de Arraste, nova classificação nomearia fenômeno onde a força da natureza transforma uma inundação em um fenômeno de alta capacidade destrutiva

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.