![]() |
O meu quarto verão no Canadá já se foi e entramos na estação que é uma das minhas favoritas: o Outono. Aprendo, aqui, a seguir o ritmo e o rumo da natureza, a contemplar e apreciar coisas que não existiam no Brasil de duas estações (ou até mesmo de uma só!) e percebo, depois de um ano inteirinho, como este curto espaço de tempo é suficiente para me fazer esquecer do que a natureza oferece em seu interminável ciclo.
Fui caminhar no domingo, como fiz quase todos os finais de semana da Primavera e do Verão, que sei são curtíssimos para tanta montanha a trilhar. Escolhi uma trilha que, apesar de estar lá o ano inteiro, é extremamente freqüentada apenas nesta época do ano: Larch Valley. O nome se refere ao tipo de pinheiro que inunda a região, o larch. Pinheiro único este, já que suas folhas espinhosas tornam-se amarelas no Outono para caírem antes mesmo do Inverno chegar. Este processo é rápido: dura pouquíssimas semanas por ano e deixa o vale pincelado de amarelo. É tão bonito que tem gente que vai lá todo santo ano só para ver os larchs amarelando…
Aqui, na região das Rochosas Canadenses, não temos a maple, árvore-símbolo do Canadá, que fica vermelha no Outono e dizem que é de tirar o fôlego! O lugar para vê-los é New Brunswick, uma das províncias do leste. A região está no calendário para, quem sabe, um dia. Enquanto isso, vou me contentando com a profusão de amarelos que temos aqui. É incrível. Fica ainda mais espetacular no contraste com a rocha e o verde dos pinheiros que assim permanecem o ano inteiro e, por isso, são chamados de perenes. Mas o vermelho aparece em pequenas folhas de arbustos.
![]() |
O Outono traz, com suas cores, a lembrança de que o Verão acabou e que o longo Inverno está para começar. Para muitos canadenses, essa simples recordação já desanima e entristece. Para outros, como eu, a lembrança do Inverno é recheada de diversão e de paisagens estonteantes, onde o frio não é a primeira coisa que vem à mente. A receita de um Inverno feliz, para mim, é torná-lo divertido: passe um dia nas montanhas, esquiando ou apenas caminhando e você entenderá o que quero dizer. Aliás, esta é a minha receita para uma vida feliz!
Além da temperatura e das paisagens, outra coisa muda drasticamente: as horas de luz. Passamos de 18 horas no Verão para apenas 8 no Inverno! É uma diferença tão brutal que passei minha primeira estação fria deprimida boa parte do tempo. Aos poucos, fui descobrindo brasileiros que usavam luzes especiais por um curto período do dia para suprir esta carência. Vitamina D, ao invés de absorvida na praia ou ao ar livre, é engolida diariamente em forma de comprimido, nos meses que têm R no nome.
E assim vou vivendo nestas latitudes do Norte, em um constante vai-e-vem onde aprendemos a aproveitar cada minuto de cada estação, pois sabemos que teremos de esperar um ciclo inteiro se completar para tê-la de novo. A hora é agora. E isso é tão mais fácil de entender quando temos um empurrãozinho da natureza…
Leia também
Pesquisadores registram caso inédito de macaco-prego leucístico no Ceará
É o primeiro caso de leucismo documentado neste gênero de primatas e pode ser um alerta sobre a fragmentação do habitat, alertam os cientistas →
Brasil perdeu 1,4 bilhão de toneladas de carbono do solo por conversão de áreas naturais à agricultura
Quantidade equivale à emissão de 5,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo cálculo feito por pesquisadores da Esalq-USP e da Embrapa →
Um ano de Trump: como os Estados Unidos reverteram avanços climáticos, dentro e fora do país
Earth.Org analisa algumas das ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde sua posse em 20 de janeiro de 2025, e o que elas significam para os estadunidenses e para o mundo →






