Chegamos no ano do Coelho, aquele em que no horóscopo chinês tudo será menos tenso, mais tranqüilo. Sem me aprofundar nos caminhos místicos (apesar de por vezes achar que é a única solução para os problemas ambientais), mas ao mesmo tempo valorizando a sabedoria milenar dos chineses, espero realmente que algo de bom, e grandioso, possa se materializar em nosso meio ambiente. Ano passado fui um tanto ausente nesta coluna, mas por uma simples razão – o excesso de viagem. Se contabilizar não dormi 40 dias seguidos na minha casa; durante todo o tempo estive em campo, fotografando, acompanhando expedições, perguntando, ouvindo, tentando entender a fumaça, as árvores deitadas, as voçorocas e as enchentes. E quando meus olhos tendiam ao lamento, minha teimosia dizia que ainda é possível reverter alguns processos, mesmo que em parte. Talvez seja ‘poliano’ da minha parte. O fato é que o pessimismo que assola o mundo moderno, e em parte como conseqüência de um jornalismo sensacionalista que atribui culpa humana a tsunamis, terremotos e vulcões, é um dos grandes males que emperram a reversão das coisas. Parece que o consenso de: “Já está ruim mesmo, então vou aproveitar o momento” cresce exponencialmente, e muito mais rápido do que as soluções.
Mas a natureza já deu provas suficientes que se adapta a qualquer alteração feita a ela mesma; obviamente tais adaptações muitas vezes tem conseqüências trágicas ao homem e suas concentrações urbanas, mas é uma simples lei física, ação e reação. Mas não uma ‘reação’ com atributos emocionais ou de julgamento; o conceito de bom ou mau é uma atribuição humana, não existe no âmbito natural. E se não existe, temos que olhar friamente para as situações, e se as eventuais soluções necessárias serão para prevenir ou remediar.
Temos que parar de julgar o predador e ter pena da presa. Quem não olha para a cena de uma caçada onde a chita corre em busca de seu alimento, e por um instante, que seja inconsciente, torce para a zebra escapar com vida? Sem ao menos pensar que a chita está ameaçada de extinção, enquanto a população de zebras cresce sem o menor perigo? Temos que parar de julgar o caboclinho que come um tracajá, e avaliar as conseqüências, para o tracajá, da barragem que inundará sua área de desova. Porque as conseqüências para o tracajá também serão para o caboclinho. Temos que olhar para o macro, focando no micro. A visão, neste mundo moderno, tem que ser em grande angular, mas com a opção de um teleobjetiva se necessária. Assim, neste primeiro slideshow de 2011 quero compartilhar fotos, simplesmente fotos, resultado de muito tempo de dedicação e persistência pelo interior brasileiro. Fotografia denúncia, deixarei para um outro momento…
Quero compartilhar o sensorial deste mundo maravilhoso. Afinal, se fiquei tanto tempo acumulando imagens e vendo tanta ‘coisa bunita di dá gosto!’, quero compartilhar, me sinto na obrigação de tal. Vamos novamente fazer contato com o otimismo que existe, ou está, latente dentro de nós.
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