Fotografia

No fogo, o fascínio e a perdição dos homens

Incêndios são traiçoeiros. Fotografá-los é tarefa perigosa mas necessária, pois eles se repetem seja pela mão do homem ou da natureza.

Lucas Lacaz Ruiz ·
10 de setembro de 2012 · 13 anos atrás

As fotos desse ensaio foram feitas durante um incêndio em São José dos Campos, perto do aeroclube, na área do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica). Ao sair de casa para levar o meu filho ao futebol vi uma enorme luz perto do aterro sanitário e não tive dúvidas, deixei meu filho no treino e fui trabalhar.

Já havia fotografado a mesma área, que ardera há um ano. Fotografar o fogo é uma atividade que pode ser bastante perigosa, pois ele pode ser traiçoeiro, encurralando ou intoxicando com a fumaça. O trabalho é árduo. O ano passado, o fogo foi à noite e enquanto fazia as imagens caí em um buraco. Por sorte, era raso e me machuquei pouco.

Desde os primórdios da humanidade o homem é fascinado pelo fogo. Sua mitologia é vasta, pois o seu controle mudou a vida da humanidade. É uma força da natureza sobrenatural e fugaz. Desde criança, eu também não escapei ao fascínio pelo fogo. Monitorando a fumaça encontro o local das queimadas, mas ela engana. Já fui parar em uma cidade vizinha procurando queimadas. A outra dificuldade é encontrar a melhor posição para fotografar. O ideal é chegar perto do fogo, mas se isso for impossível uma opção é buscar um terreno alto. Sempre que posso, procuro dar pelo menos duas visões da situação trabalhando com uma grande angular e com uma meia tele.

Na minha prática de fotojornalismo, lido e gosto de pautas variadas, entre eles as fábricas, a arquitetura, as lutas sociais e o lixo. Mas confesso um fraco por queimadas e não tenho medido esforços para registrá-las. Acredito que muitas delas são consequência do desequilíbrio que o homem tem provocado na natureza. Fotografo e penso se estamos construindo algo ou destruindo o mundo.

height=”500

Lucas Lacaz Ruiz é fotógrafo e fotojornalista. Trabalha na região de São José dos Campos.

 

height=”500

Leia também

Salada Verde
19 de janeiro de 2026

Mais dois filhotes! Onça-pintada aparece com novas crias no Parque Nacional do Iguaçu

Onça Janaína, monitorada desde 2018 pelo Projeto Onças do Iguaçu, é flagrada por armadilhas fotográficas com dois novos filhotes e chega a um total de cinco em sete anos

Colunas
19 de janeiro de 2026

Quem paga a conta do clima?

Reprodução de discursos coloniais silenciam os impactos desiguais causados pela crise climática; Estudo do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental analisa discursos sobre justiça climática

Notícias
16 de janeiro de 2026

Estudo alerta para riscos sanitários da BR-319 e da mineração de potássio no Amazonas

Pesquisadores apontam que obras de infraestrutura e mineração podem mobilizar microrganismos com potencial patogênico, ampliando riscos ambientais e de saúde pública na Amazônia Central

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.