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Carta – Açougue no Mato

De Alvaro MouawadDiretor Executivo daSociedade Brasileira para Conservação da FaunaA cada ano em que se inicia no RS mais uma temporada de caça...

Redação ((o))eco ·
28 de novembro de 2005 · 20 anos atrás

De Alvaro Mouawad
Diretor Executivo da
Sociedade Brasileira para Conservação da Fauna

A cada ano em que se inicia no RS mais uma temporada de caça amadora, e como tem acontecido ano após ano algumas vozes levantam-se contra o que consideram algo inadmissível nos tempos moderno: O ato de caçar animais silvestres. Por outro lado surgem as vozes dos adeptos deste esporte baseando seu ponto de vista em outros tantos argumentos. Mas para que possamos compreender esta questão é necessário uma análise racional sobre nossa realidade ambiental. Privilegiado com uma das maiores biodiversidades do planeta – uma riqueza inestimável de espécies silvestres de flora e fauna, distribuídos em uma variada gama de ecossistemas riquíssimos, capazes de prover o País de benefícios inestimáveis, que vão desde suas funções ecológicas intrínsecas até o aproveitamento econômico direto, o Brasil continua a assistir a destruição acelerada de seu patrimônio natural, a destruição irracional e criminosa de ecossistemas inteiros, e a perda de valiosíssimas oportunidades para deter ou mesmo reverter esses processos através do uso sustentável e adequado dos recursos naturais, principalmente faunísticos. Tendo em mente os bem sucedidos exemplos de usufruto sustentado de recursos naturais pelo mundo afora é facil depreender que se queremos conservar a Natureza numa sociedade economicamente dirigida, é preciso provar à sociedade e aos governos que a Natureza conservada vale mais do que o que rende a curto prazo a sua destruição. Dentre as alternativas de conservação da fauna no Brasil, a caça amadorista devidamente embasada em pesquisas e fiscalizada pelo aparato de policiamento e fiscalização estatal é uma das que mais se destaca como passível de sucesso e como potencial geradora de benefícios ambientais e sociais imediatos e diretos, respeitadas as peculiaridades ambientais das diversas regiões do território nacional. Vencer os preconceitos que cercam a discussão do tema, estudar a situação atual da caça amadora como instrumento de conservação no País e Exterior, e promover a divulgação e o debate sério sobre o tema, são prioridades inadiáveis. Pois ao contrário do que afirmam os felizmente poucos representantes de grupos extremistas que “exigem” , com um ranço oriundo dos tempos de ditadura o fim daquilo que simplesmente não concordam, a caça amadora é um instrumento de conservação da fauna utilizado na atualidade em praticamente todo o planeta. Para citar somente dois exemplos de países onde esta atividade é regulamentada e administrada exemplamente lembremo-nos de Cuba, onde a caça amadora de aves aquáticas é privilegiada em termos de organização e numero de espécies, e por outro lado os Estados Unidos, onde anualmente milhoes de caçadores amadores contribuem com dezenas de milhoes de dólares para causas conservacionistas. Isto sem falar de Alemanha, Inglaterra,França,Portugal,Espanha,Itália,Noruega,Canadá,UniãSoviética e mesmo Marrocos e China, que entre tantos outros países tem na caça regulamentada uma inequívoca forma de usufruto sustentado da natureza. Infelizmente apenas no Rio Grande do Sul a caça amadorista encontra-se efetivamente implantada e bem organizada, apesar de permitida por lei federal e em tese poder ser exercida em outros Estados. Submetida ao cerco permanente de pseudo-ecologistas urbanos, que não entendem a necessidade de se utilizar racionalmente este recurso natural e auto-sustentá-lo, as iniciativas para expandir a gestão de fauna no Brasil ainda enfrentam enormes obstáculos, e enquanto isso a destruição dos ambientes, a caça clandestina e o tráfico de animais silvestres vão acabando com a fauna em extensas áreas de nosso território. Nosso papel é alterar este quadro. Pois a incompetência lastreada na demagogia já causou males suficientes a nosso país.

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