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Carta – Criatividade não combina com centralização

De Antônio Leão Guia e montanhista de Resende/RJEduardo. Com certeza nossas visões não são irreconciliáveis, pois nos preocupamos com o Parque...

Redação ((o))eco ·
18 de abril de 2006 · 20 anos atrás

De Antônio Leão
Guia e montanhista de Resende/RJ

Eduardo.

Com certeza nossas visões não são irreconciliáveis, pois nos preocupamos com o Parque Nacional do Itatiaia e com o bem-estar das pessoas. Você foi o primeiro, aqui neste site, a lembrar dos visitantes assíduos e também dos cidadãos de baixa renda e eu lhe agradeço por isto.

Concordo que o grau de centralização do IBAMA é prejudicial e que “o gestor do parque saberá qual o ingresso de entrada adequado”. Apenas ressalto a importância de sempre escutarmos a comunidade. Os montanhistas elaboraram, numa Câmara Técnica do Conselho Consultivo do PNI, uma proposta que aumenta a arrecadação do Parque. Aguardamos, desde dezembro de 2005, uma resposta do MMA.

Acredito que vale a pena discutirmos a possibilidade de ingressos diferenciados, só não podemos perder a perspectiva do que é um bem público. O Itatiaia é uma conquista – pertence a todos os brasileiros. Os Parques pagam muito mais do que as suas próprias contas. Os serviços que prestam são incalculáveis. Quanto custa a água cristalina que brota no Itatiaia? Quanto vale a biodiversidade dos últimos remanescentes da Mata Atlântica? Qual o valor da beleza? Quero que os meus impostos “subsidiem” as Unidades de Conservação – nosso dinheiro está sendo muito mal usado como estamos cansados de saber.

Posso aceitar a terceirização de algumas atividades em Parques Nacionais como hospedagem, venda de artesanato e alimentação, mas os Parques não devem funcionar como empresas, pois o seu objetivo não é o lucro, e sim a conservação da Vida. Também me preocupa muito a burocratização, a complicação desnecessária no momento de se ingressar no Parque. Imagina a comprovação de renda na portaria…moradores do entorno iriam com conta de luz, talvez houvesse a emissão de uma carteira de baixa renda… Já estou vendo a fila para o cadastramento dos visitantes assíduos e os de baixa renda. A Portaria 62/2000 (MMA), que criou a taxação das trilhas, previu um desconto de 50% para membros de clubes de montanhismo. Infelizmente a maioria aqui não é filiada a nenhum clube. Talvez por isto tenhamos sido vitimados tão facilmente. Não existem mais cidadãos, apenas “entidades representativas da sociedade…”

Acho um equívoco buscarmos “justiça distributiva”, aumentando os ingressos nos Parques Nacionais. Imagina que um sujeito rico foi parar na emergência de um hospital público – então vamos cobrar caro dele porque o Estado não pode subsidiar a saúde de quem tem dinheiro. E os estudantes de renda alta nas Universidades Federais? Vão ter que pagar também… Ah sim, mas montanhismo é lazer, enquanto que Saúde e Educação são prioridade! “A gente não quer só comida…” As trilhas são a minha Saúde, são a minha Educação. Os maiores prejudicados pela Portaria 62/2000 (MMA) – taxação das trilhas – são aquelas pessoas que ainda não descobriram os Parques Nacionais. É a maioria, que não pode defender a Natureza, pois ainda não a conheceu de perto.

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