No último dia 27 de março, o ministro Carlos Minc anunciou que os grandes proprietários de gado dentro da Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro, em Rondônia, teriam seis meses para retirar todos os animais. Segundo Cristine Suemasu, analista ambiental da unidade de conservação, esse prazo foi adiado. “A previsão é de que os trabalhos comecem em maio, pois está chovendo muito aqui na região e o Exército ainda não conseguiu entrar para montar as suas bases”.
Esta infra-estrutura é fundamental, já que funcionários do Ibama e do Instituto Chico Mendes ficarão na Flona durante três meses para notificar e cadastrar os moradores, além de controlar o fluxo de entrada e saída na área protegida, a fim de conter o desmatamento que já derrubou cerca de um quarto de sua vegetação original. Mas o trabalho não será simples. “Não temos confirmação de quantas cabeças de gado um proprietário precisa ter para ser considerado grande, médio ou pequeno. Além disso, seis meses é o prazo mínimo para que os animais saiam. Como são cerca de 40 mil e sua retirada não acontecerá ao mesmo tempo, é provável que demore mais”, avalia Suemasu.
O clima anda mesmo tenso neste devastado recanto da Amazônia. De acordo com um servidor da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sedam), que preferiu não se identificar, houve uma invasão constante da Flona por pessoas interessadas em derrubar a floresta. De certo, este fato contribuiu para que o volume de recursos movimentado pelo setor madeireiro no estado tenha crescido 6.000% entre 2006 e 2007.
Promotora do Ministério Público Estadual, Aidé Torquato Luiz informa que uma liminar federal emitida em 2002, há sete anos, exigia que os moradores fossem sumariamente retirados de Bom Futuro. “É permitido que populações tradicionais morem dentro de uma Floresta Nacional, assim como grupos extrativistas. Pecuaristas, como é o caso, nunca”, diz. Torquato explica que a sentença final sobre a liminar deve sair em breve, já que o processo passou por todos os trâmites burocráticos necessários.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Em Belém, Flávio Bolsonaro diz que turista é o “maior fiscal do meio ambiente”
Candidato do PL defendeu que o turismo em áreas indígenas, quilombolas e reservas ambientais pode ajudar a proteger o meio ambiente →
Um futuro digno depende do fim da bancada do agronegócio
O inimigo está na surdina, pronto para dar o bote: a bancada ruralista está em campo para manter sua hegemonia no Congresso e avançar com sua agenda de destruição da legislação ambiental →
Por que o oceano precisa ganhar mais espaço no próximo governo
Documento do Observatório do Clima reúne propostas para conservar o oceano, enfrentar a crise climática e proteger comunidades costeiras →

