O governo pensa em estender aos carros a redução “verde” do IPI. Mas essa não é a melhor maneira de incentivar o uso de veículos menos poluentes. Proponho duas taxas que só deveriam ser introduzidas se outras duas, pelo menos, fossem retiradas, para não piorar o nosso cipoal de impostos. São elas:
- Um imposto ambiental sobre combustíveis, cobrado por litro. Substituiria a atual CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) com o objetivo de taxar a produção de poluentes derivados da gasolina, álcool e diesel. A destinação da receita deveria ser também ambiental.
- Um imposto sobre o uso do carro, o chamado pedágio urbano. Esse teria o intuito de pagar pela manutenção da rua e evitar congestionamentos. Seria variável de acordo com a hora e local. Quem usa pouco ou, por exemplo, vai para o trabalho alternando com vizinho, paga menos.
Esses dois impostos são mais eficazes porque atacam a intensidade do uso e não a simples posse, como o IPI ou o atual IPVA que, por incrível que pareça, cai quanto mais velho for o carro, beneficiando tecnologias ultrapassadas até a isenção total quando o dito completa 15 anos. Um imposto ambiental sobre gasolina é simples de cobrar e pune os carros beberrões. Já o pedágio urbano ficou fácil de implementar com o barateamento de chips, redes de comunicação e GPS.
Ele está a caminho:
Minha coluna de 2007 sobre o assunto já apostava nisso, pois é a única solução definitiva para engarrafamentos.
Por fim, utilitários deveriam ter seu chip calibrado para pagar um imposto mais alto. Toda vez que saem à rua, usam mais espaço, desgastam mais a pavimentação e aumentam o risco de ferimentos em acidentes com carros pequenos.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Agro quer prioridade em norma que veda embargo a desmatamento ilegal
CNA publica lista de propostas legislativas que entidade tem interesse em ver avançar no Congresso. Várias delas compõem o Pacote da Destruição →
Governo institui política para acolher animais resgatados
Nova legislação estabelece responsabilidades para governos e empreendedores no resgate e manejo de animais domésticos e silvestres em emergências ambientais →
((o))eco relança a Campanha de Membros para sustentar jornalismo ambiental aberto e independente
Programa amplia participação de leitores e busca sustentar produção independente sem adoção de paywall →



