A União da Industria de Cana-de-Açúcar (UNICA), entidade representativa o setor sucro-alcooleiro da região Centro-Sul do país, divulgou ontem o balanço das emissões de CO2 pelo uso do etanol em carros flex, em relação ao uso da gasolina, nos últimos seis anos e meio. Segundo a entidade, neste período, a utilização do etanol evitou a emissão de mais de 75 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera. Para se chegar a esse número, a Única usou um “carbonômetro”, ferramenta desenvolvida pela própria entidade. Ela considerou em seu cálculo tanto o etanol consumido diretamente pelos veículos flex quanto os 25% do combustível da cana contidos na gasolina.
De acordo com um cálculo de equivalência em árvores desenvolvido pela não-governamental SOS Mata Atlântica, para se alcançar o número de 75 milhões de toneladas de CO2 evitado, seria preciso plantar e manter ao longo de 20 anos mais de 200 milhões de árvores nativas. Em agosto passado, a frota brasileira de carros flex era de 27,8 milhões de veículos, mas este número tende a crescer mensalmente. Naquele mês, a fatia de vendas de carros flex em relação ao total de veículos comercializados no Brasil representava 94% .
Em termos de emissão de CO2, a notícia é inegavelmente positiva. Quando são consideradas as emissões de outros tipos de poluentes, no entanto, – como os hidrocarbonetos, monóxido de carbono (CO) e óxidos de nitrogênio (NOx) – a luz de alerta se acende. Segundo levantamento divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente em meados de setembro, os carros flex tiveram os piores desempenhos em relação aos poluentes locais. Hidrocarbonetos, CO e NOx são precursores do ozônio (O3), gás até 25 vezes pior para o efeito estufa do que o CO2 e que em baixas altitudes causa problemas como rinite, amigdalite, sinusite e pneumonia, além do envelhecimento precoce dos tecidos dos pulmões. A saída, dizem pesquisadores, seriam o aperfeiçoamento da tecnologia do etanol.
Leia mais:
O outro lado do etanol
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