A partir desta terça-feira (22), quem quiser saber o quanto seu banco ou a montadora do seu carro polui já tem uma ferramenta disponível para isso. Um grupo formado por 35 grandes empresas do país acabam de colocaram na internet seus inventários de emissão de gases de efeito estufa (GEE).
Somadas, as emissões diretas desse grupo atingem quase 89 milhões de toneladas de carbono equivalente, o que representa cerca de 4% do quanto o Brasil emitia em 2005 – com base no Inventário Nacional Preliminar divulgado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em novembro passado. Se consideradas somente as emissões industriais – excluindo as emitidas pela agricultura e mudança no uso da terra e florestas – as empresas que agora reportam seus resultados são responsáveis por 20% do total emitido pelo país.
Este é o primeiro registro público de Emissões de GEE do Brasil. Fazem parte da iniciativa as empresas: Vale, Votorantim, Souza Cruz, Ford, Embraer, Eletrobras, Ambev, Alcoa e os bancos do Brasil, Santander, Itaú e Bradesco, entre outras. Todas elas integram o Programa Brasileiro GHG Protocol, trazido ao Brasil há dois anos pela Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o World Resources Institute, organização norte-americana pioneira na formulação de ferramentas de gestão para economia de baixo carbono.
O objetivo do registro público é auxiliar agentes públicos e privados na definição de estratégias para mitigação das emissões e evidenciar as boas práticas e o comprometimento das empresas participantes com as questões ambientais entre os consumidores. “A transparência na divulgação das emissões por meio de um registro público é um fato inédito em um país em desenvolvimento não-Anexo I da Convenção do Clima da ONU”, destaca Mário Monzoni, coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FVG.
Considerando as empresas que hoje reportaram seus dados, as do setor de transformação respondem pela maior parte das emissões (89%), seguidas pelo setor de mineração (10%). Saneamento, energia, agrícola, serviços financeiros e serviços públicos somam o 1% restante. No setor de transformação, petroquímica e combustíveis sãos as indústrias que mais emitiram. A mineração de não metálicos ficou em segundo lugar e metalurgia em terceiro. (Cristiane Prizibisczki)
– Acesse o Registro Público de Emissões de GEE do Brasil, aqui.
Leia também
Incêndios na Patagônia expõem nova dinâmica do fogo impulsionada pelo clima
Queimadas já devastaram milhares de hectares na Argentina e Chile, enquanto especialistas alertam para o papel das mudanças climáticas e da ação humana na intensificação do fogo na região →
Paleontólogos pedem proteção da Floresta Petrificada de Altos, no Piauí
Abaixo-assinado pede a criação de uma unidade de conservação e um parque paleontológico para proteger a área, ameaçada por desmatamento e queimadas →
Instituto Escolhas abre edital para bolsas de pesquisa sobre a Caatinga
Programa é voltado para estudantes de pós graduação nascidos ou que estejam matriculados em instituições de ensino localizadas da região nordeste; inscrições estão abertas até 31 de março →




