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Ibama multa INB por reembalagem de carga radioativa

Ausência de licença prévia e críticas a faltas de segurança mostram que a desconfiança em relação a procedimentos nucleares continuam.

Celso Calheiros ·
4 de julho de 2011 · 15 anos atrás
Reprodução de página exibida no sistema de licenciamento ambiental do Ibama, na área de documentos do processo do Complexo Mínero-Industrial de Lagoa Real e Jazida Cachoeira. Clique para ampliar.
Reprodução de página exibida no sistema de licenciamento ambiental do Ibama, na área de documentos do processo do Complexo Mínero-Industrial de Lagoa Real e Jazida Cachoeira. Clique para ampliar.
Multa por ausência de licença prévia, nota criticando faltas de segurança, sociedade se organizando para criar uma comissão para fiscalização da empresa e outros indicadores mostram que a desconfiança com relação aos procedimentos das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) continuam.

A história vem desde 2008, depois de denúncias sobre o nível de radiação de algumas fontes de água para população, denunciados pelo Greenpeace. Atingiu seu ponto mais alto, até então, quando parte da população de Caetité, Bahia, foi para rua na noite de 15 de maio (um domingo) para impedir a chegada de nove carretas nas instalações das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A carga foi levada para outra cidade, foi criada uma comissão institucional para tentar garantir a transparência da operação.

Uma nota divulgada pela comissão mostra que os desencontros persistem. A nota garante que o Ibama multou as INB em R$ 600 mil, apresentou um relatório que aponta faltas nas instruções normativas de segurança, o sindicato denunciou que trabalhadores correram risco de serem expostas à radiação e pede a mudança do caráter provisório, da comissão, em permanente (“para dar continuidade ao processo de cobrança das medidas socioambientais reclamadas pela população de Caetité, Lagoa Real e região”, escreve a nota).

A assessoria de comunicação das INB nega: “as INB não recebeu autuação do Ibama nem as instruções normativas foram desrespeitadas”, responde a jornalista Helena Beltrão, por e-mail. O dirigente do Sindicato dos Mineradores de Brumado e Micro Região Lucas Mendonça rebate e mostra, no site do Ibama, o auto de infração por “fazer funcionar atividades consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes”.

Lucas também aponta, no site do Ibama, o relatório técnico assinado pelos analistas ambientais Adriano da Silva Bezerra e Amado P. C. Netto onde são descritos procedimentos ocupacionais. Lucas também afirma ter conhecimento, por denúncias feitas pelos próprios trabalhadores, de risco de exposição à radioatividade por faltas na segurança. “Eles podem negar, mas nós sabemos disso através dos próprios trabalhadores”, conta o dirigente sindical, que resume: “Dentro da empresa, o clima é de tensão”.

A mobilização dos oito integrantes da comissão provisória é tentar transformá-la em permanente, até mesmo para poder abrir um elo de ligação entre a mina de urânio, no interior da Bahia, e a população no entorno das INB.

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