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Troca de líder embola votação do Código Florestal

Queda do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), complica barganha política e deixa indefinida data da votação do CF.

Daniele Bragança ·
13 de março de 2012 · 14 anos atrás
Queda do líder da Câmara, Cândido Vaccareza (acima), adiou a votação do Código Florestal. Foto: Marcello Casal Jr/ABr
Queda do líder da Câmara, Cândido Vaccareza (acima), adiou a votação do Código Florestal. Foto: Marcello Casal Jr/ABr
A reunião dos líderes dos partidos que iria definir a data da votação do novo Código Florestal foi cancelada, nessa terça, devido a um vácuo político: a falta de  um líder do governo na Câmara.  Na manhã desta terça-feira, a presidente Dilma Rousseff afastou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), da liderança na Câmara. O seu substituto, deputado Arlindo Chinaglia também do PT de São Paulo, só foi anunciado após o cancelamento da reunião. Ontem, a presidente também substituiu o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pelo senador Eduardo Braga (PMDB-AM).

A explicação oficial das trocas dos líderes do governo nas duas casas legislativas é a necessidade de “rodízio de lideranças”. Extraoficialmente, é o castigo de Dilma à rebelião da bancada pemedebista que na semana passada derrotou o governo, rejeitando a escolha de Bernardo Figueiredo para chefiar a Agência de Transporte Terrestre (ANTT). Figueiredo seria uma indicação pessoal da presidente.

Não houve votações no plenário da Câmara hoje, sob alegação de que Chinaglia precisa de tempo para tomar pé na pauta de projetos a serem votados. Está prevista uma reunião entre Marco Maia, presidente da Câmara, e Chinaglia para definir a nova agenda de votação, que inclui o Código Florestal. Até o fechamento dessa nota não havia novidades.

Por enquanto, a data da votação do Código Florestal está no limbo. “Há consenso dos líderes de partidos sobre a necessidade de fazer logo a votação, mas é mais provável que isso só aconteça na próxima semana”, disse o deputado Paulo Piau, atual relator do Código, à reportagem da Agência Brasil.

O que os ruralistas mais temem, fora a proximidade da Conferência Rio+20, que aumenta a pressão para “desruralizar” o conteúdo do texto, é a data do decreto presidencial que suspende as multas aplicadas a proprietários rurais que descumpriram a atual lei ambiental. O decreto, que já foi prorrogado cinco vezes, vence no dia 11 de abril.
  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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