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Transplantes de bromélias ajudam na restauração ecológica

Pesquisa analisou 6 espécies, entre bromélias, orquídeas e cactos. Exemplares podem ser adquiridos de áreas desmatadas legalmente.

Daniele Bragança ·
13 de junho de 2013 · 11 anos atrás
Foto: divulgação
Foto: divulgação

Durante o processo de recuperação de alguma área degradada de floresta, a plantação de plantas, como bromélias, cactos e orquídeas, pode ajudar no processo de recuperação da paisagem fragmentada. A conclusão é resultado da dissertação de mestrado da bióloga Marina Melo Duarte, trabalho desenvolvido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, sob orientação do professor Sergius Gandolfi, do Departamento de Ciências Biológicas.

Normalmente, o processo de restauração florestal começa com a inserção de árvores na área a ser recuperada. De acordo com a bióloga Marina Melo Duarte, pesquisadora no programa de Pós-Graduação em Recursos Florestais da Esalq, esse processo nem sempre é suficiente para recuperar a biodiversidade da floresta.

Parte da solução está no transplante de espécies de epífitas – espécies de plantas que habitam em árvores – para troncos de árvores de florestas em processo de recuperação ecológica. Essas espécies de plantas atuam na ciclagem de nutrientes, além de serem boas armazenadoras de água e fornecedores de microambientes, com flores e frutos. Por causa destas características, podem ser usadas no processo de recuperação ecológica.

Marina analisou duas florestas com 13 e 23 anos de processo de restauração, a primeira localizada em Santa Bárbara D’Oeste (SP) e a última em Iracemápolis (SP) e concluiu que o sucesso do processo, ocorre principalmente quando os transplantes eram realizados no inicio da estação chuvosa

Segundo a pesquisadora:

“As duas florestas analisadas em processo de restauração se mostraram permeáveis ao enriquecimento com epífitas, mostrando taxas de sobrevivência das mesmas (para todas as espécies estudadas) acima de 55% dos indivíduos, 1 ano após o transplante.

Respostas de sobrevivência, fixação, propagação vegetativa e reprodução sexuada das epífitas variaram significativamente de acordo com as espécies das próprias epífitas, mas não variaram significativamente de acordo com espécies de forófitos (árvores sobre as quais as epífitas crescem) ou suas rugosidades de casca e, apenas em algumas espécies e em algumas situações, variaram significativamente de acordo com o grau de cobertura de dossel no ponto da floresta onde foi feito o transplante”,  disse Marina por e-mail a ((o))eco.

Foram analisados os transplantes de 360 indivíduos de seis espécies de epífitas, pertencentes às famílias Bromeliaceae (Aechmea bromeliifolia e Tillandsia pohliana), Orchidaceae (Catasetum fimbriatum e Rodriguezia decora) e Cactaceae (Lepismium cruciforme e Rhipsalis floccosa).

Segundo a pesquisa, as taxas de sobrevivência das diferentes espécies de epífitas foram superiores em floresta mais jovem, variando de 63,33 a 100%, enquanto em floresta mais madura variaram entre 55,17 e 89,66%. “Contudo, os fatores que possivelmente mais influenciaram os resultados observaram não foram as idades das florestas, mas a época do transplante (seca ou chuvosa) e o método de fixação das plantas (uso de fibra de palmeiras junto a barbante de sisal se mostrou eficiente)”, esclarece Marina.

Desmatamento: banco de epífitas

Apenas no estado de São Paulo, são desmatados legalmente mais de 500 hectares de florestas em diferentes estágios de regeneração. De acordo com a pesquisa – que foi realizada com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) – o desmate ocasionado por obras de grande infraestrutura pode tornar disponível material para ser empregado em outras florestas em estágio de recuperação.

“Na prática, a pesquisa tem bastante aplicação, principalmente para auxiliar decisões sobre o que fazer quando se tem grande quantidade de material (epífitas) disponível a partir de desmatamentos, sobre como destinar esse material de forma mais eficiente”, afirmou Marina.    

Marina ressalta que a pesquisa não vale para qualquer tipo de epífita. “No estudo foram usadas seis espécies de epífitas e elas responderam de formas diferentes aos parâmetros analisados. Contudo, os resultados são otimistas porque, mesmo se usando seis espécies de epífitas de três famílias diferentes, os transplantes para todos foram considerados bem sucedidos”, finaliza.

*editado: 14/06

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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