Notícias

Governo publica plano de proteção para 52 espécies de peixes de nuvens

Plano protege 52 espécies de peixes conhecidos como anuais: sobrevivem em poças nos tempos chuvosos e na seca, quando a poça seca, morrem

Daniele Bragança ·
21 de junho de 2013 · 13 anos atrás
Além dos peixes, a rã Physalaemus soaresi também é alvo do projeto. Foto: L. N. Weber.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicou na edição desta quinta-feira (20) do Diário Oficial a portaria que apresenta o Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação de 52 espécies de peixes e uma de anfíbio, todas ameaçadas de extinção. O plano tem validade de 5 anos e o andamento da execução será avaliado anualmente.

As 52 espécies de peixes agora protegidas são da família rivulídeos, uma das quatro mais diversificadas entre as 39 famílias de peixes de água doce do Brasil. É formada por peixes muito pequenos, que vivem em ambientes aquáticos muito rasos, como poças.

São conhecidos como peixes anuais, porque sobrevivem nos tempos chuvosos. Na época de seca, quando a poça seca, morrem. Como possuem um ciclo de vida curto, atingem rapidamente a maturidade sexual: “No ano que vem, volta a chover, volta a existir a mesma poça. E voltam os mesmos peixes. Quer dizer, não os mesmos, mas os descendentes daqueles, que ficaram reservados em ovos na terra, como sementes, durante todo o período seco. Quando chove, eles eclodem. E recomeça o ciclo” explica Lorenzo Aldé em reportagem publicada em 2005 aqui em ((o))eco.  A matéria focou nas descobertas do professor Wilson José Eduardo Moreira da Costa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), considerado o mais importante especialista sobre rivulídeos do país.

Rã também entra no plano

O anfíbio que também entrou no plano de ação é o Physalaemus soaresi, a rã endêmica só encontrada na Floresta Nacional Mário Xavier, em Seropédica, no Estado do Rio, e que ficou conhecida por ser ameaçada pelas obras do Arco Metropolitano, rodovia que liga as cidades de Itaboraí, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí.  Após muita polêmica, o projeto do Arco foi modificado.

Caberá ao Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais (CEPTA), unidade especializado do ICMBio, a Coordenação do Plano de Ação (PAN) Rivulídeos, que estabelece a proteção dos habitats remanescentes na região de distribuição das espécies, impedindo que sejam “alterados ou suprimidos em decorrência de atividades agrosilvopastoris, da implantação de empreendimentos (como barragens, açudes, rodovias, parques eólicos, portos, complexos hoteleiros e outros) e da urbanização”.

O plano também prevê a divulgação dos estudos que serão realizados e contará com o apoio dos órgãos ambientais das três esferas (federal, estadual e municipal) para a adoção de medidas de proteção das espécies e seus habitats durante “ações de planejamento, licenciamento, fiscalização, monitoramento e controle”.

A relação das 53 espécies pode ser lida neste link do Diário Oficial.

 

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
17 de março de 2026

Projeto que barra fiscalização ambiental remota ganha urgência na Câmara

Associação de servidores emite nota expressando preocupação. Ibama tem apenas 752 agentes para atender universo de mais de 100 mil alertas por ano

Colunas
17 de março de 2026

Talvez o sertão não vire mar, mas o litoral brasileiro já está virando 

Quando a vegetação costeira desaparece e a urbanização avança até a linha da praia, não é apenas o ecossistema que se fragiliza

Notícias
17 de março de 2026

Fiscais do Ibama sofrem emboscada durante operação contra madeira ilegal no Amazonas

Servidores foram atacados e tiveram o veículo incendiado durante operação na Terra Indígena Tenharim-Marmelos, em Manicoré

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.