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Borboleta-Coruja: presa ou predador?

A homenageada de ((o))eco dessa semana sobrevive graças à confusão que o padrão de suas belas asas cria. Foto: Cláudio Timm

Rafael Ferreira ·
12 de julho de 2013 · 8 anos atrás
Caligo brasiliensis fotografada em Santa Catarina. Maio/2010. Foto: Cláudio Timm.
Caligo brasiliensis fotografada em Santa Catarina. Maio/2010. Foto: Cláudio Timm.

Borboleta-coruja é o nome popular das borboletas pertencentes ao gênero Caligo. Na mitologia greco-romana, Caligo era a personificação das trevas, o que torna esse nome apropriado para descrever um gênero de borboletas de hábitos crepusculares: permanecem pousadas em troncos durante o dia e voam de manhã ou nas últimas horas do dia, antes do anoitecer.

São borboletas típicas de florestas úmidas e florestas secundárias do México, América Central e do Sul. Em geral, são muito grandes, um dos maiores exemplares de borboletas que se tem notícia, chegando a medir até 18 centímetros de envergadura. Em geral as fêmeas são maiores e menos coloridas que os machos.

Há cerca de 20 espécies deste gênero, que podem ser divididos em seis grupos que constituem “subgêneros”: Caligo eurilochus (que inclui C. bellerophon, C. brasiliensis, C. eurilochus, C. idomeneus, C. illioneus,C. memnon, C. prometheus, C. suzanna, C. telamonius, C. teucer ); Caligo arisbe (C. arisbe ,C. martia ,C. oberthurii); Caligo atreus (C. atreus, C. uranus); Caligo oileus (C. oedipus, C. oileus, C. placidianus, C. zeuxippus); Caligo beltrao (C. beltrao) as incertae sedis (Caligo euphorbus, Caligo superbus), cuja colocação é incerta em relação aos demais grupos.

Como a maioria das borboletas, são efêmeras: vivem aproximadamente por três meses. Mas até chegar à metamorfose completa, levam cerca de 105 dias. E como uma impressão digital: nenhum exemplar apresenta um padrão de asas exatamente igual ao outro.

Os machos tem um comportamento territorialista e, na época da cópula, perseguem as fêmeas incansavelmente. Após a cópula, a fêmea põe cerca de 50 ovos. A taxa de sobrevivência das lagartas após a eclosão dos ovos sofre em razão do grande número de predadores e parasitas como, por exemplo, as vespas da família Trichogrammatidae cujas larvas parasitam a borboleta e seus ovos.

O padrão das asas, origem do apelido borboleta-coruja, pelo lado de dentro, é um desenho semelhante ao rosto de uma coruja, com destaque para os olhos enormes e abertos. Um mistério científico: especula-se que o padrão de olho seja uma forma de mimetismo, que confunde seus predadores. Muitos animais pequenos, que caçam principalmente usando o sentido da visão, hesitam em se aproximar da borboleta, “imaginando” estar diante de um dos seus predadores naturais. Este mecanismo anti-predação protege o animal enquanto descansa, se alimenta e acasala.

As espécies mais comuns no Brasil são a Caligo beltrao e a Caligo eurilochs brasiliensis, mais comuns no leste do país. Também são encontradas aqui a Caligo martia, nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e a Caligo memnon, na Floresta Amazônica.

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