Notícias

O fator climático na preservação do lince-ibérico

Cientistas alertam para a necessidade de levar em conta as mudanças climáticas nos planos para salvar o mamífero mais ameaçado do mundo.

Vandré Fonseca ·
24 de julho de 2013 · 13 anos atrás
 

Os invejáveis investimentos de 90 milhões de euros (ou mais de 260 milhões de reais) ao longo dos últimos vinte anos para salvar o lince-ibérico (Lynx pardinus) da extinção podem não ser suficientes, se o planejamento das ações não levarem em conta as mudanças climáticas. O alerta foi dado por um grupo internacional de pesquisadores, em um artigo publicado na revista científica Nature Climate Change.

O lince-ibérico pesa entre 10 e 15 quilos e atinge cerca de 50 centímetros de altura. É considerado o mamífero que mais corre o risco de extinção no mundo, classificado como Criticamente Ameaçado na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês). A população do animal teve uma pequena recuperação nos últimos anos e atualmente está em torno de 250 indivíduos, divididos em dois grupos no sudeste da Espanha. Eles sofrem ameaças como a caça, atropelamentos, perda de habitat e, após surtos de doenças que reduziram a população de coelhos, falta de presas para se alimentar.

“Nossos modelos mostram que a mudança climática prevista levará a um declínio rápido e dramático do lince-ibérico e, provavelmente, vai erradicar a espécie dentro de 50 anos, apesar dos esforços de conservação atuais”, afirma Miguel Araújo, da Universidade de Copenhague. “As duas únicas populações presentes no momento não serão capazes de se espalhar ou se adaptar às mudanças. Felizmente, não é tarde para melhorar as perspectivas do lince, se os planos de gestão começarem a levar em consideração as mudanças climáticas”, completa.

Programas de melhoria genética em curso demonstram ser capazes de estabilizar a população de linces, mas não são suficientes para garantir a preservação da espécie, se os animais não forem reintroduzidos em locais que resistam melhor ao aquecimento global. “O habitat no sudoeste da Península Ibérica, onde estão as duas populações restantes, provavelmente vai estar inóspito para o lince na metade deste século”, afirma Alejandro Rodriguez, da Estação Biológica de Dañana, Sevilha.

Conforme o estudo, é necessário privilegiar locais com maiores altitudes e latitudes para reintroduzir os animais, ou seja, o norte da Península Ibérica. Esses locais devem sofrer menos os efeitos das mudanças climáticas e são capazes de manter tanto a abundância de presas quanto a conectividade de habitats, oferecendo condições para que o número de linces-ibéricos aumente para 900 indivíduos até 2090, segundo a previsão feita pelos pesquisadores.
 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Colunas
12 de março de 2026

Mulheres e Oceano: infra estruturas invisíveis da vida?

Tanto o oceano quanto as mulheres carregam uma expectativa silenciosa de que vão aguentar mais um pouco. Mas nenhum sistema consegue ser resiliente para sempre

Salada Verde
11 de março de 2026

Decisão do STF sobre tributos na cadeia de reciclagem preocupa setor

ANAP afirma que incidência de PIS e Cofins pode elevar custos operacionais e pressionar atividades ligadas à coleta e comercialização de materiais recicláveis

Colunas
11 de março de 2026

Desmatamento da Amazônia custa mais de US$ 1 bilhão por ano na conta de luz dos brasileiros

Perda de floresta reduziu chuvas, diminuiu a geração hidrelétrica e elevou os custos da eletricidade no país, diz estudo

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.