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Amazônia colombiana: Parque Chiribiquete dobra de tamanho

Notícia é bem recebida, pois apesar de ser um hotspot de biodiversidade, a região também concentra 30% do desmatamento do país.

María Clara Valencia ·
26 de agosto de 2013 · 13 anos atrás

O Parque Chiribiquete, o maior da Colômbia, está localizado na região que concentra 30 por cento do desmatamento do país. Crédito: Parque Nacional Natural Serranía de Chiribiquete, Arquivo Parques Nacionais Naturais da Colômbia.
O Parque Chiribiquete, o maior da Colômbia, está localizado na região que concentra 30 por cento do desmatamento do país. Crédito: Parque Nacional Natural Serranía de Chiribiquete, Arquivo Parques Nacionais Naturais da Colômbia.

O Parque Nacional Natural Serra de Chiribiquete, localizado entre as regiões de Caquetá e Guaviare, no coração da Amazônia colombiana, passou de 1.298.954 hectares para 2.782.353 hectares, o equivalente a proteger a área de um país como a Bélgica.

De acordo com o Ministério do Ambiente da Colômbia, com a ampliação que aumenta mais de duas vezes o Parque Chiribiquete, um quinto da Amazônia colombiana estará protegido e dentro do Sistema Nacional de Parques Nacionais.

Para os especialistas, o Parque de Chiribiquete é um dos hotspots mundiais de biodiversidade. “Em termos de riqueza, a ampliação passa a incluir 41 espécies de répteis e 49 de anfíbios. Registrou-se um total de 145 espécies de aves e 209 de borboletas. A área também protege pelo menos 13 espécies ameaçadas de mamíferos, 6 possíveis novas espécies e 7 novos registros para o país”, informou o Ministério.

Ao mesmo tempo, esta região concentra 30% do desmatamento da Colômbia, o que torna mais importante a decisão da duplicação.

Em entrevista a ((o))eco, Luz Marina Mantilla, diretora do Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas (Sinchi), explicou que esta iniciativa é um passo importante para a conservação da natureza, mas também do patrimônio cultural. “É a primeira vez que se fala ao mesmo tempo de conservação e de apoio aos sistemas produtivos”, disse Luz Marina.

Ela explicou que a zona ampliada tem problemas de desmatamento, associados principalmente à pecuária, e que para combatê-lo é necessário melhorar os sistemas produtivos na região e nas zonas ao redor. Com um orçamento de cerca de US$ 100 milhões, provenientes principalmente da Noruega, Alemanha, Reino Unido e Finlândia, o objetivo da ampliação é também intervir e restaurar as áreas de amortecimento (setores adjacentes ao parque) com sistemas produtivos agroflorestais sustentáveis para reduzir a pressão sobre a Unidade de Conservação.

“As pessoas da Amazônia estão felizes com a decisão e a associam à declaração que fez o presidente Juan Manuel Santos na Rio+20, onde se comprometeu a expandir o parque. Também é uma janela para ampliar a cooperação internacional”, afirmou Luz Marina Mantilla.

Um esforço histórico com pendências

Por sua vez, Martín Von Hildebrand, diretor da Fundação Gaia Amazonas, explica que este é o resultado de um roteiro que vem sendo trabalhado desde 1988. O Parque Chiribiquete foi criado durante o governo do presidente Virgilio Barco junto com outras Unidades de Conservação. O parque é uma barreira à colonização da Amazônia colombiana, de modo que “este é um passo decisivo da estratégia de conservação, dentro da qual deve ser reforçada a governança indígena”, afirma Von Hildebrand.

Ele conta que as organizações da sociedade civil envolvidas pediram que o parque fosse ampliado em 3 milhões de hectares. Até agora conseguiram a metade. Para os outros 1,5 milhões de hectares restantes é necessário esperar a realização de estudos de prospecção que determinarão se existe ou não petróleo na zona. Só então será definido se mais ampliações virão.

Participaram do projeto de expansão do parque gestores de Parques Nacionais, universidades e ONGs, como a Fundação Gordon e Betty Moore, The Nature Conservancy e a Fundação Puerto Rastrojo.
Sobre o financiamento da iniciativa, embora Von Hildebrand reconheça o esforço internacional, ele é enfático em dizer que se faltarem recursos nacionais não estará garantida a continuação dos projetos. “Existe uma vontade de deixar a conservação nas mãos de acordos de cooperação, mas não há uma verdadeira decisão política doméstica para investir neste tema”, ele afirma.

Recentemente, o governo de Juan Manuel Santos apresentou o orçamento da Nação para 2014. O agro terá 1% do total; para o ambiente ficou em 0%.

* Maria Clara Valencia é jornalista freelance e professora de jornalismo na Universidade Tecnológica de Bolívar, em Cartagena de Índias

 

 

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Passado e futuro da Amazônia colombiana

 

 

 

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