Notícias

Após agressão, ambientalistas fazem campanha contra a caça

A campanha "Eu respeito os animais da natureza e digo não à caça" foi lançada por entidades que se reuniram contra essa prática ilegal.

Redação ((o))eco ·
26 de agosto de 2013 · 11 anos atrás

Ibama liberta animais apreendidos em ação contra o tráfico de animais no sertão paraibano. Foto: Francisco de Assis dos Anjos - Ibama/PB
Ibama liberta animais apreendidos em ação contra o tráfico de animais no sertão paraibano. Foto: Francisco de Assis dos Anjos – Ibama/PB

O afrouxamento na legislação ambiental e dois ataques a ambientalistas foram o estopim para que entidades ambientalistas se reunissem contra a caça. Lançada na última sexta-feira (23), a campanha “Eu respeito os animais da natureza e digo não à caça”, tem por objetivo conscientizar a sociedade da defesa dos animais nativos e cobrar ações das autoridades para coibir a caça, o aprisionamento e o tráfico.

Em agosto, duas notícias envolvendo ambientalistas saíram nas páginas policiais e não nas de meio ambiente: no começo do mês o casal Wigold Schaffer e Miriam Prochnow, foi atacado por um caçador enquanto caminhavam pela mata que preservam. Poucos dias depois, o Brasil vira notícia internacional com o assassinato do espanhol Gonzalo Alonso Hernandez no Parque estadual Cunhambebe, em Rio Claro, no estado Rio de Janeiro.

O movimento é constituído de 4 Redes (Rede de ONGs da Mata Atlântica – RMA, Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o desenvolvimento – FBOMS, Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses – FEEC, Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres – Renctas) e 19 ONGs, entre elas a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), a CI-Brasil, o IDS, a SOS Mata Atlântica e a SPVS.

A campanha consiste em coletar assinaturas que acompanharão as reivindicações abaixo. Elas que serão levadas às autoridades para imediata implementação:

1 – Imediata revogação da Resolução nº 457, de 25 de junho de 2013, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), que facilita e estimula o tráfico de animais silvestres no país, cuja vigência está prevista para 25.12.2013, mas já estimula os infratores. Referida Resolução contraria a Constituição Federal e o art. 25 da Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) que determina a soltura dos animais ou a sua doação a Zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas, bem como a apreensão dos instrumentos utilizados na prática do crime.

2 – Discussão Pública no CONAMA e nos Conselhos Estaduais e Municipais de Meio Ambiente, de Resoluções para coibir o livre comércio em lojas agropecuárias e outros estabelecimentos comerciais, de armas de caça tais  como espingardas de ar comprimido (cujo poder de destruição e matança é comparável a armas de fogo), estilingues, gaiolas, apitos e quaisquer instrumentos de captura de animais silvestres, visto que o livre comércio de tais armas e instrumentos estimula a matança, o aprisionamento e tráfico da fauna silvestre, contribuindo diretamente para a extinção de espécies.

3 – Realização de ampla e integrada operação de fiscalização (blitz nacional) contra a caça ilegal, a captura, o aprisionamento e o tráfico de animais silvestres e pela apreensão de armas e instrumentos de captura e aprisionamento de animais da fauna silvestre.

4 – Realização de campanhas públicas mostrando a importância e beleza dos animais e estimulando a observação e fotografia como atividades sustentáveis e seguras. As campanhas também deverão ser contra a caça, aprisionamento e tráfico de animais nativos do Brasil, com ênfase também, nas zonas rurais, mostrando que matar animais  é crime e incompatível com nosso atual conhecimento científico e nível cultural. Deve-se também, divulgar telefones onde possam ser denunciados de forma anônima os contumazes caçadores de cada município ou região.

5 – Apuração rigorosa dos casos de violência contra os defensores da biodiversidade nativa do Brasil e aplicação das penalidades previstas em lei.

A campanha também conta um a seção página Protesto Verde, onde as pessoas poderão postar denúncias de caça, aprisionamento e tráfico de animais, para o posterior encaminhamento às autoridades competentes pela fiscalização e controle.

 

 

Leia Também
Ilegalidade consentida
Ambientalistas se reúnem em ato contra a morte de biólogo espanhol
Caçador ataca casal de ambientalistas em Santa Catarina

 

 

 

Leia também

Salada Verde
24 de maio de 2024

Comissão da Câmara aprova projeto que aumenta pena para crime ambiental na Amazônia

Proposta também inclui penalização de servidores e agentes públicos que se omitirem diante de tais crimes. Ascema vai avaliar conteúdo do texto

Notícias
24 de maio de 2024

Desastres ambientais afetaram 418 milhões de brasileiros em 94% das cidades, diz estudo

Levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que cada brasileiro enfrentou, em média, mais de duas situações de desastre entre 2013 e 2023

Salada Verde
24 de maio de 2024

A despedida da flor-de-maio 

A bela floração dessa espécie endêmica da Mata Atlântica dura de 15 a 20 dias e ocorre somente uma vez por ano

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.