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Especialistas monitoram queimada que consumiu 710 km² na Bolívia

Fundação monitorou diariamente o incêndio e usou imagens de satélite para medir a severidade do fogo, na região de Chiquitos de Santa Cruz.

Giovanny Vera ·
10 de outubro de 2013 · 8 anos atrás

Imagem da vegetação da área antes do incêndio florestal que durou mais de duas semanas.  Crédito: Fundação Amigos da Natureza.
Imagem da vegetação da área antes do incêndio florestal que durou mais de duas semanas. Crédito: Fundação Amigos da Natureza.

Três semanas de queimada intensa e aproximadamente 71 mil hectares (710 km²) devastados pelas chamas. Uma vez terminado o fogo, a Fundação Amigos da Natureza (FAN) começou a analisar os impactos, e foi apresentando estudos onde mostra os resultados do monitoramento diário que fez ao incêndio florestal que atacou a província de Chiquitos, em Santa Cruz, entre agosto e setembro deste ano.

O fogo teria começado no dia 15 de agosto e terminado no dia 2 de setembro. De acordo com Armando Rodríguez, especialista em Geomática Aplicada da FAN, o monitoramento foi realizado diariamente desde o dia 17 de agosto até o 7 de setembro, usando imagens do satélite Landsat 8 e do sensor Modis.

Armando Rodríguez explicou ao ((o))eco que o monitoramento diário permitiu realizar análises progressivas no tempo, estudando as novas áreas por onde o fogo passava, e estimar a quantidade de superfície queimada. Desta forma, até o dia 22 de agosto, os especialistas acreditam que teriam sido queimados 39.034 hectares, e até o dia 2 de setembro essa cifra teria pulado para 69 mil hectares.

Vale lembrar que as imagens Modis (usadas diariamente durante o monitoramento) tem uma resolução de 250 metros por pixel, enquanto as imagens Landsat 8 tem uma resolução de 30 metros por pixel. As imagens do Landsat 8 foram utilizadas nos dias 22 de agosto e 7 de setembro, com o objetivo de estabelecer um grau de exatidão nas valorações anteriores.

A severidade do fogo, definida como os efeitos diretos da queima da vegetação através da mortandade de árvores e a perda de biomassa, foi categorizada como alta em 35% na região queimada e como extrema em 22%.

“Como era esperado, as áreas de maior densidade de cobertura vegetal mostraram o grau mais alto de severidade do dano, pelo tempo de permanência do fogo e pela alta carga combustível”, disse Armando.

No dia 7 de setembro, usando imagens Landsat 8 de alta resolução a FAN pode definir que a área afetada pelo fogo na região foi de 71 mil hectares.

Gráfico da queimada na região de Chiquitos, em Santa Cruz, Bolívia. Crédito: Fundação Amigos da Natureza.
Gráfico da queimada na região de Chiquitos, em Santa Cruz, Bolívia. Crédito: Fundação Amigos da Natureza.

Estimativa e Severidade

Para o especialista, é muito importante saber “o quanto realmente existiu (de superfície afetada) do que era estimado”, e na Bolívia são bem poucos os que realizam esta valoração dos dados. Ele explica que com a estimativa de superfície queimada, “foi possível estabelecer a alerta no município de San José (afetado com 97% do incêndio)”, e também serviu para tomar decisões sobre a mobilização dos bombeiros.

Já o estudo da severidade permite estimar o impacto à vegetação causado pelo fogo, que tem uma alta relação com a carga combustível disponível nesse momento. De acordo com o estudo da FAN, a vegetação mais afetada pelo incêndio foi a de Chaparal de Abayoy, com 36% do total da área queimada. O Chaparal de Abayoy é uma vegetação que existe nesta área de transição entre o Cerrado, a Amazônia e o Bosque Seco.

De acordo com informações do técnico da FAN, não é a primeira vez que esta área queima, já que em sua maioria já tinha sofrido incêndios nos anos 2003, 2007 e 2010. Isso explica que em zonas onde antes existiu menos fogo, a severidade do incêndio agora foi mais alta, pela maior quantidade de carga combustível da biomassa vegetal.

Para Armando Rodríguez, “estudos como este mostram que os incêndios irão aumentando, e nos faz perguntarmos se estamos preparados para combatê-los”. Ele mesmo responde que não, mas vê como alternativa a prevenção. “Trabalhar com as comunidades que usam o fogo em suas tarefas cotidianas, com as crianças”, diz ele. Armando acredita que deve haver um trabalho coordenado entre organizações, já que “tem muito ainda por fazer e por conhecer sobre o fogo e os incêndios na Bolívia”.

 

Mapa

 

 

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  • Giovanny Vera

    Giovanny Vera é apaixonado pela área socioambiental. Especializado em geojornalismo e jornalismo de dados, relata sobre a Pan-Amazônia.

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