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Novo índice revela áreas protegidas insubstituíveis

Estudo da Science desenvolveu um índice de biodiversidade que aponta quais áreas devem receber ênfase na sua proteção.

Vandré Fonseca ·
14 de novembro de 2013 · 12 anos atrás

A APA Serra do Mar foi criada em 21 de setembro de 1984. Está situada ao sul do estado de São Paulo, abrangendo parte da bacia hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape. Foto: Sistema Ambiental Paulista
A APA Serra do Mar foi criada em 21 de setembro de 1984. Está situada ao sul do estado de São Paulo, abrangendo parte da bacia hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape. Foto: Sistema Ambiental Paulista

Manaus, AM — No território brasileiro, 4 áreas, entre elas 2 Terras Indígenas, estão entre as consideradas excepcionalmente valiosas para a preservação da biodiversidade, segundo um estudo publicado nessa quinta-feira na revista científica Science, uma das mais importantes do mundo. Foram destacadas as Terras Indígenas do Alto Rio Negro e do Javari, ambas no Estado do Amazonas, além da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e a Aŕea de Proteção Ambiental da Serra do Mar. Essas regiões são consideradas fundamentais para a preservação das espécies de plantas e animais que existem ali, especialmente espécies ameaçadas.

Realizado por um conjunto de instituições internacionais, o estudo utilizou dados sobre a ocorrência de espécies raras em cada uma de 173 mil áreas de conservação do mundo. Foram usadas informações da Lista Vermelha da IUCN, que inclui mais de 221,5 mil espécies. As informações serviram para a produção de um índice de áreas insubstituíveis (irreplaceability index, no original em inglês). Os pesquisadores chegaram a 78 locais, que incluem 137 áreas de 34 países, classificadas como de alta dificuldade de substituição. Essas áreas cobrem um total de 1,7 milhões de quilômetros quadrados.

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A noção de insubstituível, segundo o estudo, está relacionada à importância dessas áreas para que sejam atingidas as metas globais de conservação da biodiversidade e também à dificuldade de se atingir estas metas, casos elas sejam perdidas. Ao contrário de estudos anteriores, que enfatizavam a necessidade de aumentar o número de áreas protegidas, este destaca a necessidade e oferece orientação para melhorar a gestão de reservas já existentes.

“As áreas protegidas só podem cumprir o seu papel na redução da perda de biodiversidade se forem geridas de forma eficaz “, diz Simon Stuart , presidente da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN . “Tendo em conta os orçamentos de conservação limitados, então os governos devem prestar especial atenção à eficácia da gestão das áreas protegidas altamente insubstituíveis”, completa.

Para os autores do estudo, há falhas na gestão e implantação de áreas protegidas já criadas. Entre os casos de Unidades de Conservação que estão no papel mas que nunca foram implantadas está a Reserva Forestal Protectora Páramo de Urrao, na Colômbia. “Ela foi legalmente criada em 1975, mas isso nunca foi traduzido em gerenciamento da área”, afirma Paul Salaman, especialista em biodiversidade da Colômbia, ligado à Rainforest Trust.

Os autores do artigo destacam também a necessidade de aumentar os esforços no gerenciamento dessas áreas e também para que sejam reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Cultura, Ciência e Educação (Unesco) como Patrimônio Mundial. Apenas metade desses locais é considerada Patrimônio Mundial. No Brasil, apenas a Mata Atlântica recebe tal reconhecimento, entre as quatro regiões destacadas. Esses lugares excepcionais podem ser fortes candidatos ao status de Patrimônio Mundial”, afirma Soizic Le Saout, que liderou o estudo. “Esse reconhecimento asseguraria a proteção efetiva da biodiversidade singular destas áreas, levando em conta os rigorosos padrões exigidos para Patrimônio Mundial”.

 

 

Saiba mais
Artigo: S. Le Saout e alli. “Protected Areas and Effective Biodiversity Conservation”

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