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Companhia é multada em 650 mil por poluir o rio São Francisco

Poluição afetou 110 mil pessoas. Sedimentos liberados por Chesf fez microalgas proliferarem e uma mancha negra invadiu o rio em Alagoas

Daniele Bragança ·
27 de abril de 2015 · 9 anos atrás
Vento espalhou mancha, que já atinge 34 km. Foto: Divulgação/Companhia de Saneamento de Alagoas.

Durante 8 dias, 110 mil pessoas ficaram sem água devido a uma mancha negra que polui o rio São Francisco entre os municípios de Delmiro Gouveia e Olho D’Água do Casado, em Alagoas. Nove municípios tiveram o abastecimento suspenso enquanto as autoridades investigavam a causa da poluição que, na quinta-feira (23), alcançou 34 quilômetros de extensão.

De acordo com o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, a mancha negra foi causada pela proliferação excessiva de algas decorrente da liberação de sedimentos no rio, após o esvaziamento de um dos reservatórios administrados pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).

Durante reunião organizada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) na última quinta-feira, o Instituto anunciou que multou a Chesf em R$ 650 mil por dano ambiental. Na ocasião, também foi apresentado o  relatório conclusivo do órgão.

Além da multa, a empresa também deverá pagar pelos prejuízos causados pelo abastecimento de água, interrompido durante 8 dias. A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) anunciou que pretende pedir ressarcimento de R$ 500 mil por perdas durante o desabastecimento forçado.

De acordo com o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), os sedimentos vazaram em 22 de fevereiro, durante esvaziamento do lago Belvedere, na barragem de Xingó, mas a mancha só foi percebida no começo de abril e as autoridades ainda estudam medidas para conter a poluição. Técnicos do Instituto asseguram que os sedimentos estavam acumulados no lago há cerca de 30 anos.

Uma das soluções seria aumentar a vazão no rio, o que dispersaria a matéria orgânica. Mas devido à seca que assola o país, os reservatórios já estão baixos e usar a água poria em risco a geração elétrica. Ao contrário, a empresa quer reduzir ainda mais a vazão no rio São Francisco, e para isso já obteve autorização especial do Ibama. Falta agora o sinal verde da Agência Nacional de Águas (ANA).

Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) se defende e diz que vai recorrer

Em comunicado, a Chesf se defende das acusações e afirma que vai recorrer da multa.

A Chesf entende que a mancha causada pela alga Ceratium furcoides, que surgiu no reservatório de Xingó, é resultado de desequilíbrio ambiental, provocado por uma serie de fatores, não originados pela atuação da Companhia.

A Empresa destaca que tem a função de operar e manter as usinas e reservatórios sob determinação legal por meio de fiscalização e monitoramento de órgãos ambientais como IBAMA e Agência Nacional de Águas (ANA).

A Chesf tem enviado relatórios e Laudos de análises para as diversas instituições, bem como tem participado de reuniões institucionais, a exemplo das reuniões com os órgãos ambientais e com o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, na busca de soluções para resolver o problema, procurando minimizar os efeitos desse fenômeno.

Nesse sentido, a Companhia e o Operador Nacional do Sistema (ONS) vêm implantando operações nos reservatórios para diluir a mancha, diminuindo sua dimensão e sua densidade gradativamente.

 

 

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  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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