Notícias

A maior onça já registrada em Mamirauá (mas existem maiores por aí)

Onça-pintada capturada por pesquisadores do Instituto Mamirauá é menor que animais encontrados em outras regiões, mas é a maior já registrada em 10 anos de pesquisas em florestas de várzea na Amazônia

Vandré Fonseca ·
7 de abril de 2017 · 5 anos atrás
Foto feita em 2016. Galego vive há anos na floresta de várzea da Reserva Mamirauá, mas só foi capturado e examinado agora. Foto: Registro de uma armadilha fotográfica do Instituto Mamirauá.
Foto feita em 2016. Galego vive há anos na floresta de várzea da Reserva Mamirauá, mas só foi capturado e examinado agora. Foto: Registro de uma armadilha fotográfica do Instituto Mamirauá.

Manaus, AM — Uma onça-pintada de 72 quilos capturada em uma armadilha de laço surpreendeu pesquisadores do Instituto Mamirauá. Em dez anos de trabalho na Reserva de Desenvolvimento Sustentável, eles ainda não haviam encontrado um animal tão grande. Tudo bem que em outras regiões, onças pintadas pode chegar a quase o dobro deste tamanho. Mas é que as onças da várzea amazônica são bem menores que suas parentes do Pantanal e principalmente do cerrado venezuelano.

Galego, como o macho foi batizado, tem 11 quilos a mais do que a onça mais pesada que os pesquisadores havia registrado até então e 17 a mais do que a média dos machos capturados na RDS, segundo o que afirmou ao site da instituição o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho, do Instituto Mamirauá. O bicho agora carrega um colar de telemetria e é seguido via satélite pelos pesquisadores.

O biólogo Rogério Fonseca, professor da Universidade Federal do Amazonas, concorda que é um animal grande para os padrões da várzea amazônica. Ele estuda a interação entre onças e populações humanas e conta que, no Pantanal, as onças chegam a 100 quilos. Mas as maiores estão no cerrado venezuelano. A maior já registrada tinha 140 quilos, de acordo com ele.

A veterinária do Instituto Mamirauá, Louise Maranhão, analisa a saúde de Galego. Depois de capturadas, as onças-pintadas são monitoradas por meio de colares de telemetria, que informam via satélite, a posição dos animais Foto: Emiliano Ramalho.
A veterinária do Instituto Mamirauá, Louise Maranhão, analisa a saúde de Galego. Depois de capturadas, as onças-pintadas são monitoradas por meio de colares de telemetria, que informam via satélite, a posição dos animais
Foto: Emiliano Ramalho.

“Na região amazônica existe um fluxo gênico maior do que na região do Pantanal. A nossa onça (da várzea amazônica) se especializou em caçadas de aves, répteis e raros mamíferos. Já a pantaneira é exímia caçadora de mamíferos, fica em pé para avistar presas. Além das habituais presas, os jacarés”, explica Rogério Fonseca.

Vida na água

O monitoramento das onças em Mamirauá já revelou um comportamento diferente dos animais desta região. Pintadas que vivem na floresta de várzea da RDS vivem cerca de quatro meses em cima das árvores, durante o período de inundação. Nos galhos, nadando de árvore em árvore, se alimentam e criam os filhotes.

Outra descoberta realizada ao longo de uma década de estudos é que na várzea existe uma alta densidade de onças pintadas, com mais de 10 animais para cada 100 km². A pesquisa é desenvolvida pelo Instituto Mamirauá, com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Fundação Gordon and Betty Moore.

Armadilhas fotográficas flagraram Galego momentos antes dele ser capturado. E a maior onça já registrada em Mamirauá ao longo de dez anos de estudo. Foto: Instituto Mamirauá.
Armadilhas fotográficas flagraram Galego momentos antes dele ser capturado. E a maior onça já registrada em Mamirauá ao longo de dez anos de estudo. Foto: Instituto Mamirauá.

 

Leia Também

Projeto Iauaretê: as onças das árvores de Mamirauá

Mamirauá: onças-pintadas sobrevivem na selva inundada

Mamirauá avança no turismo de observação de onças

 

Leia também

Fotografia
16 de junho de 2015

Mamirauá avança no turismo de observação de onças

A visita de grupos de turismo para ver onças-pintadas na reserva gera renda para as comunidades locais e reduz a caça dos animais.

Reportagens
1 de dezembro de 2014

Mamirauá: onças-pintadas sobrevivem na selva inundada

Pesquisa do Instituto Mamirauá comprova que estes animais são capazes de viver nas florestas alagadas durante os meses da cheia amazônica.

Reportagens
11 de maio de 2015

Projeto Iauaretê: as onças das árvores de Mamirauá

Na várzea amazônica, os pesquisadores enfrentam condições difíceis para monitorar a onça-pintada que sobrevive na floresta inundada.

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Comentários 1

  1. Carlos Leitão diz:

    Animal majestoso. Pena que este ano mataram uma no interior de São Paulo e os inconsequentes ainda gravaram video se vangloriando. Lamentável. O pior é que o episódio sórdido ganhou pouco destaque na imprensa( Apenas vi a redetv noticiar e justamente quem anunciou foi a jornalista que apresentava o extinto e ótimo programa "good news". Percebeu-se que ela ficou bem desconfortável ao dar a notícia). A natureza com as mudanças climáticas se vingará de nós seres humanos.Excelente o portal "O ECO".