Fotografia

Mamirauá avança no turismo de observação de onças

A visita de grupos de turismo para ver onças-pintadas na reserva gera renda para as comunidades locais e reduz a caça dos animais.

Adriano Gambarini ·
16 de junho de 2015 · 8 anos atrás

Nos últimos dias em que documentei o trabalho da equipe de Emiliano Ramalho na RDS Mamirauá, tive a oportunidade de acompanhar um grupo de turistas estrangeiros que estavam hospedados na Pousada Uacari. Este foi o primeiro ano oficial desta atividade de turismo de observação de onças – Jaguar Expedition. No ano passado foi realizada uma atividade piloto, com total sucesso.

Foram realizados três pacotes turísticos em nove dias de observação, totalizando 11 avistamentos de 4 onças diferentes, ou seja, sucesso de 100% em avistamento. Inclusive com situações realmente raras, como foi o caso da observação do comportamento de corte por uma onça monitorada por rádio-colar e uma fêmea que recentemente apareceu na área. E posso dizer, nos meus quinze anos documentando onças em vida livre, que presenciar cenas assim é espantoso, principalmente quando é na Amazônia. E mais, numa área de várzea onde a única forma de deslocamento é através de pequenas canoas!

A seguir, um bate papo com Emiliano.

Adriano Gambarini: Porque seu projeto visa turismo de observação de onça? Você acredita que este tipo de turismo agrega valor à onça?
Emiliano Ramalho: O objetivo desta atividade é reduzir o número de onças caçadas na região, por meio do estímulo ao ecoturismo de avistamento de onças-pintadas. A lógica é que o avistamento na Reserva Mamirauá pode gerar benefícios econômicos e sociais às comunidades locais e que estes benefícios possam contribuir para que moradores tenham uma interação mais harmoniosa com a onça-pintada, deixando de caçá-la e colaborando com a pesquisa e conservação.

O turista sai satisfeito, claro, mas você acredita que isto pode conscientizar a comunidade que sofre diretamente com a presença da onça perto das criações?
Tenho certeza que a atividade irá reduzir o número de onças-pintadas caçadas na região. E com felicidade posso dizer também que descobrimos uma maneira de fazer com que a onça-pintada gere renda para os moradores locais. É fantástico ver esse processo.

O que você vislumbra com este projeto?
Eu vislumbro menos onças-pintadas mortas, maior renda pra comunidades locais, mais conhecimento científico para subsidiar ações de conservação, a replicação dessa atividade em outros locais da Amazônia, e a formação de jovens interessados na conservação da onça-pintada.

Vídeo

Leia também
Projeto Iauaretê: história, sucessos e o conflito homem-onça
Macacos de Mamirauá: primeira razão de ser da reserva
Projeto Iauaretê: as onças das árvores de Mamirauá

  • Adriano Gambarini

    É geólogo de formação, com especialização em Espeleologia. É fotografo profissional desde 92 e autor de 14 livros fotográfico...

Leia também

Notícias
8 de fevereiro de 2023

Não existirá futuro sem preservar a Amazônia, diz Mercadante ao assumir controle do Fundo Amazônia

Petista diz que uma das prioridades do fundo será reestabelecer o combate ao desmatamento e o apoio às comunidades mais vulneráveis

Salada Verde
8 de fevereiro de 2023

Pesquisa irá avaliar riscos da poluição por plásticos e microplásticos no Pantanal

Contemplado no Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil, projeto vai estudar impactos dos materiais para a biodiversidade e saúde humana no bioma

Reportagens
8 de fevereiro de 2023

Os sem floresta: a perda de habitat que ameaça os macacos brasileiros

Levantamento mapeia a perda de habitat para 190 espécies de mamíferos terrestres brasileiros e alerta para situação dos primatas e suas florestas cada vez menores

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta