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Amazônia em chamas – número de queimadas de janeiro a abril é 132% maior que 2023

Em todo o Brasil, número de queimadas computado nos quatro primeiros meses do ano é o maior da série histórica do INPE, iniciada em 1998

Cristiane Prizibisczki ·
3 de maio de 2024 · 2 anos atrás

Enquanto o sul do Brasil padece com chuvas extremas, o norte continua em chamas. Entre 1º de janeiro e 30 de abril, foram computados 11.470 focos de calor dentro dos limites da Amazônia Legal. O número, registrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), é 132% maior do que o registrado no mesmo período de 2023.

A quantidade de focos de calor registrados na Amazônia Legal nos quatro primeiros meses do ano também é a maior desde 2016, ano em que o país sofreu os efeitos do chamado Super El Niño.

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Roraima, no extremo norte do país, puxou a alta nos números da Amazônia Legal. No estado, foram registradas 4.609 queimadas entre janeiro e abril de 2024. Em segundo lugar aparece o Mato Grosso, com 4.131 focos no período, seguido pelo Pará, com 1058 focos, Maranhão, 809 focos, Tocantins, com 522 focos, Amazonas, 368 focos, Rondônia, 214 focos, Acre, com 25 focos e Amapá, com 6 focos registrados no período.

Em todo o Brasil, o número de queimadas de janeiro a 1º de maio foi de 17.421 focos, o maior do histórico de medições do INPE, cujo início é 1998. Segundo o Observatório do clima, a disparada de queimadas no primeiro semestre preocupa, uma vez que a estação seca na Amazônia, Cerrado e Pantanal está apenas começando.

De acordo com análise do OC, o alto número de queimadas já no início do ano é um indicativo de que os impactos da seca extraordinária de 2023 ainda perduram e que a estação chuvosa de 2023/2024 não foi suficiente para umedecer o solo e impedir o fogo.

“As queimadas estão batendo recordes mesmo com os alertas de desmatamento em queda no Cerrado e na Amazônia nos primeiros cinco meses do ano, o que sugere influência do clima. Se o governo não tomar medidas amplas de prevenção e controle, teremos uma catástrofe nos próximos meses”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo do OC.

De acordo com Astrini, seria necessário uma ampla mobilização da União e dos governos estaduais para o enfrentamento da situação. Além disso, o secretário-executivo do OC lembra da urgência de se resolver a greve instalada nos órgãos ambientais, que lutam por melhores condições de trabalho e melhores salários.

“Infelizmente, o quadro que se desenha é de uma prorrogação indefinida da greve, já que o atual governo preferiu dar aumento à corporação que tentou impedir sua eleição do que aos servidores que entregam um dos seus principais resultados”, disse, em relação ao reajuste dado pelo governo Lula a Policiais Federais.

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.

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