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Bolsonaro conversa com governadores sobre revisar unidades de conservação

Presidente afirmou nesta quinta-feira (11) que vem dialogando no sentido de criar uma base para extinguir áreas protegidas criadas no passado

Daniele Bragança ·
12 de julho de 2019 · 2 anos atrás
Bolsonaro recebe oração no café da manhã com a Bancada da Frente Parlamentar Evangélica. Foto: Marcos Corrêa/PR.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (11) que vem discutindo com governadores a ideia de revisar unidades de conservação no país. Em discurso realizado durante encontro com a bancada evangélica no Congresso, Bolsonaro voltou a defender a extinção da Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis, local onde foi multado em 2012 por pesca ilegal.

Desde que descobriu que a legislação não permite extinguir por decreto unidades de conservação, apenas por projetos de lei submetidos ao Legislativo, Bolsonaro faz discursos públicos contra o que chama de “aparelhamento” da legislação ambiental. A novidade é o trabalho de articulação com os estados.

“Conversei com o [Ronaldo] Caiado [governador de Goiás] neste sentido, com o governador do Pará [Helder Barbalho] também, e estamos conversando com vários outros governadores no sentido de nós nos unirmos e desmarcar muita coisa por decreto no passado para poder fazer com que o estado possa prosseguir”, disse.

Assim como as unidades de conservação federais, as UCs estaduais precisam passar pelo crivo do Legislativo, no caso, as Assembleias Estaduais, para deixar de existir.

Em maio, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse, em entrevista ao Estadão, que revisará todas as 334 unidades de conservação federais. Isso abarca desde o Parque Nacional de Itatiaia, criado em 1934, ao Refúgio da Vida Silvestre da Ararinha Azul, uma das últimas unidades criadas pelo governo federal, em 2018.

Queremos Cancun

O presidente também aproveitou o discurso para falar sobre seu desejo de transformar a Reserva Biológica de Tamoios, em Angra dos Reis, em uma espécie de “Cancun” fluminense, em referência ao balneário mexicano.

“Rio de Janeiro, a gente quer fazer ali, pretende, com dinheiro de fora, transformar a baía de Angra em uma Cancun. Mas o decreto que demarcou a Estação Ecológica só pode ser derrubado com uma lei”, disse.

A Estação Ecológica de Tamoios abrange cerca de 5% da baía de Ilha Grande, entre os municípios de Angra dos Reis e Paraty, no Estado do Rio de Janeiro e está na área de influência das usinas nucleares de Angra I e II. A unidade foi criada em janeiro de 1990, durante o governo José Sarney, para atender um dispositivo que determina que todas as usinas nucleares deverão ser localizadas em áreas delimitadas como estações ecológicas.

 

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  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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Comentários 6

  1. Willyan diz:

    Aqui na tau bom futuro o Confúcio estão estraindo casiterita e diamantes e eu provo


  2. Willyan Costa diz:

    Não vou sossega enquanto o ladrão do Confúcio estiver no congresso luga de bandido e na cadeia de Porto Velho


  3. Flávio diz:

    Amigo, com este argumento você só confirma o papel de inocente útil de narrativas para assassinato de reputação. Você acha que se esta história de demissão por causa de multa não tinha virado escândalo nacional ppmente com a imprensa que temos e o próprio aparelhamento do Ibama?
    E se realmente acredita que Bolsonaro não têm consciência ecológica, basta ver a gestão do Salles e os esqueletos que está desenterrando. O último fala da farra das ONGs com recursos do Fundo da Amazônia na caixa preta do BNDES.
    Acho que está naquela onda isentista de quem não votou no Bolsonaro, mas declara voto e critica para ficar bem na "Resistêmnci". Não engana ninguém.


  4. Vince diz:

    Votei em Bolsonaro mas está claro que ele não tem o mínimo de consciência ecológica. Devido à multa que levou em 2012 exonerou o funcionário assim que assumiu a presidência. Agora faz a caça às bruxas pra satisfazer os ruralistas, do mesmo modo que Trump que saiu do acordo de emissão de gases. Uma hora o planeta vai cobrar a conta do homem, e tenha certeza que será caro!


  5. Flávio diz:

    Meu amigo, você emprenhou pela orelha, está desinformado ou de má fé. O fato é que a farra do oportunismo ambientaloide que nos atrasa e condena milhões à pobreza está sendo pressionado. Todos nós sabemos como se dá a criação de muitas UCs inclusive com interesses pouco republicanos mas travestidos de bom mocismo verde.
    Você acha mesmo que estudos técnicos não são suficientes para avaliar as relações sociais, econômicas e ambientais da revisão de UCS? Ppmente quando se fala de UCs de uso sustentável? E se forem de uso integral? Quais os critérios que devem pautar o uso sustentável da área?
    Não é melhor se informar primeiro do que contribuir para o assassinato de reputações e servir de massa de manobra politicamente correta? Muita calma nesta hora meu amigo…


  6. Flávio diz:

    Excelente. Na prática o governo busca requalificar a profusão de UCs que só existem no papel, com problemas fundiários não resolvidos que penalizam proprietários e comunidades tradicionais por décadas ou sem nenhuma estrutura para sobreviverem.
    O estranho,mas não surpreendente, é ouvir ambientalistas contrários ao discurso do desenvolvimento sustentável e o patrocínio a toda ação de boicote à revisão das politicas publicas para as UCs que se revelam um desastre nos últimos 15 anos com os resultados que conhecemos e sem motivos de comemoração…