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Brasil tem mais latifúndios que áreas protegidas

O Atlas da Agropecuária Brasileira revela que terras privadas correspondem a 53% do solo brasileiro, enquanto as áreas protegidas ocupam 27% da área

Sabrina Rodrigues ·
20 de março de 2017 · 5 anos atrás
Grandes propriedades ocupam uma área um pouco maior que a soma das Unidades de Conservação municipais, estaduais, federais e Terras Indígenas. Foto: Sam Beebe/Flickr.
Grandes propriedades ocupam uma área um pouco maior que a soma das Unidades de Conservação municipais, estaduais, federais e Terras Indígenas. Foto: Sam Beebe/Flickr.

Ao contrário do propagandeado pelos ruralistas, são as propriedades rurais privadas, principalmente as maiores, que ocupam a maior parte da área do território nacional, e não as áreas protegidas. É o que afirma o Atlas da Agropecuária Brasileira, estudo feito pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) e a Esalq (GeoLab da Esalq/USP), lançado nesta segunda-feira (20).

De acordo com o Atlas, só os grandes latifúndios ocupam uma área maior do que o conjunto de Unidades de Conservação municipais, estaduais e federais e Terras Indígenas no país. As áreas protegidas cobrem 27% do território nacional, ou seja, 2,32 milhões de quilômetros quadrados (km²). Já as grandes propriedades rurais dominam 28% do território, isto é, 2,34 milhões de km².

A soma das áreas das propriedades pequenas, médias e grandes alcança 4,53 milhões de quilômetros quadrados (km²), o que corresponde a 53% do território nacional.  O Atlas não inclui na conta os assentamentos rurais do Incra.

tabela

Discrepâncias

As disparidades regionais também foram destacadas no novo estudo. Enquanto estados conhecidos como grandes produtores do agronegócio, como São Paulo, apresenta apenas 8% do território em áreas públicas protegidas (mas em compensação, 81% do território é ocupado por propriedades privadas), o Amapá possui 68% da área protegida, 13% da terra pública ainda não destinada e apenas 7% com terra privada.

Outra informação é de que existem 86 milhões de hectares de terras públicas não destinadas, entre terras não tituladas do Programa Terra Legal e Glebas Públicas Federais e Estaduais, correspondendo à soma dos estados de São Paulo e Minas Gerais. A maior parte dessas áreas não destinadas estão em estados da Amazônia Legal.

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 5

  1. José Carlos Castilho diz:

    Faltou dizer claramente que 20% das ditas "terras particulares" são compostos de vegetação nativa preservada.


  2. Angelo diz:

    Acho que São Paulo precisará compensar financeiramente o Amapá para que esse possa continuar protegendo suas florestas.


  3. paulo diz:

    E aquela sra. que berrava aos ventos, Katia Abreu (politica/politiqueira), dizendo que a quantidade terras para a conservação era gigantesca.

    Cheira grilagem de terra, ahh goias e tocantis, voces sabem muito, com sabem.


  4. Rinaldo dos Santos diz:

    É realmente um absurdo ver o mau jornalismo. O Brasil tem 28% de latifúndios estatais protegidos e 28% de latifúndios privados que pagam impostos. É um disparate. Os cidadãos deveriam ter a maior parte das áreas, com duas funções: 1) para exploração; 2) para preservação. Ou seja, o Governo – ao invés de ficar retendo áreas ditas como de preservação – poderia transferir esse encargo para as propriedades privadas. Ao invés de punição aos que não preservam, haveria estímulo para que começassem a preservar. Governo com muita coisa nas mãos é namorado de ditadura – exatamente como o Brasil. Os números dizem por si só e explicam o desacerto. O cidadão não é culpado; o Governo sim.


    1. lazarothor diz:

      Latifúndio estatal hahahahahaha é cada jênio que aparece