Notícias

Cerrado tem recorde de queimadas em maio; número é o maior desde 1998

No período, foram registrados 3578 focos de calor no bioma. Amazônia também tem recorde, com maior número de focos em 18 anos

Cristiane Prizibisczki ·
1 de junho de 2022

O Cerrado ardeu em chamas no mês de maio, com 3.578 focos de calor computados. O número representa um recorde para o bioma: é o maior já registrado pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) no período desde 1998, quando começou a série histórica. Os dados foram atualizados nesta quarta-feira (31).

A cifra também é 35% maior do que maio de 2021, quando foram registrados 2.649 focos de calor, quantidade de queimadas que já figurava entre as mais altas da série do Instituto, e está duas vezes acima da média para o mês (1.711 focos).

No acumulado do ano, o Cerrado já acumula 6.630 focos de queimadas, número 23% maior do que o mesmo período do ano passado.

Amazônia em chamas

A Amazônia também teve recordes de queimadas em maio. No período, foram computados 2.287 focos, o maior número dos últimos 18 anos e o segundo pior da série histórica, só perdendo para 2004, quando foram registrados 3.131 focos no período.

A quantidade de queimadas registrada pelo INPE no bioma é 96% maior do que maio de 2021, quando foram computados 1.166 focos de queimadas, e seis vezes maior do que o mês passado, quando foram contabilizados 384 focos de calor no bioma. 

No acumulado do ano, o bioma já soma quase 5 mil focos de queimada, número 21% maior do que o mesmo período do ano passado.

Maio é o considerado o primeiro mês da estação seca para ambos os biomas, mas ainda está longe do período de maior pico de queimadas, que geralmente acontece entre agosto e setembro. 

“O fogo anda de mãos dadas com o desmatamento. A gente fica extremamente preocupado porque, principalmente na Amazônia, os focos de incêndio estão ligados à ilegalidade. Tivemos um abril com recorde de alertas de desmatamento, o acumulado de alertas está maior do que o ano passado, e por outro lado, a gente não vê nenhuma ação do governo para coibir isso”, diz Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

“O pessoal que fez o Dia do Fogo em 2019, por exemplo, está todo mundo solto, ninguém foi punido, então, a gente vai vendo a destruição subir e a impunidade imperar”, complementa. 

Historicamente, o desmatamento – e as queimadas –  tendem a crescer em ano eleitoral, já que o poder público, a fim de não desagradar seu eleitorado, acaba por afrouxar a fiscalização e a punição. 

Astrini lembra que, com Bolsonaro, esse cenário de impunidade imperou durante todo o mandato, mas está ainda mais acentuado com a proximidade da possível mudança de governo.

“Temos outro reflexo [do ano eleitoral] acontecendo no campo e no Congresso também, que é o fato de que, tanto quem derruba árvore quanto quem derruba a lei está vendo ficar cada vez mais difícil a reeleição de Bolsonaro, então eles estão ligando o modo ‘tudo ou nada’, ‘é agora ou nunca’, colocando tudo abaixo”, diz.

  • Cristiane Prizibisczki

    Cristiane Prizibisczki é Alumni do Wolfson College – Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde participou do Press Fellow...

Leia também

Reportagens
21 de março de 2023

Tarcísio bate martelo para concessão do Rodoanel Norte, marcada por controvérsias ambientais

Maior obra de Infraestrutura do estado de São Paulo avança sobre Mata Atlântica com licenciamento baseado em informações desatualizadas e sem ampla escuta às comunidades afetadas

Reportagens
20 de março de 2023

Crise climática já prejudica ecossistemas no planeta todo

Novo relatório científico reforça a necessidade de substituição dos combustíveis fósseis e de uma transição energética com justiça social

Salada Verde
20 de março de 2023

MPF quer multa para mineradora que mantém placas em território indígena no Amazonas

Há 20 anos o povo Mura, de Autazes (AM), reivindica a demarcação de área ocupada desde o século 18. Mineradora canadense quer explorar mina de cloreto de potássio no local

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta