Notícias

Conservação pode se tornar fonte de renda contínua com arranjo de estados amazônicos

Governos querem pagamentos para créditos gerados com aumento de populações de espécies nativas e conectividade

Aldem Bourscheit ·
12 de novembro de 2025

Belém (PA) – Segundo o Banco Mundial, a Amazônia brasileira gera US$ 317 bi anuais em serviços ambientais. Assegurar o funcionamento dessa “máquina natural” exige de US$ 1,7 a 2,8 bi anuais para manter unidades de conservação, aponta um estudo na revista Perspectives in Ecology and Conservation.

De acordo com o Consórcio Amazônia Legal (CAL), a maior parte desse custo pesa atualmente nas contas dos nove estados da região – Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão – pressionando as contas públicas.

Tentando mudar esse cenário e melhor proteger a floresta, secretarias de Fazenda e de Meio Ambiente lançaram na COP30 uma iniciativa de “créditos de biodiversidade”, um arranjo ainda não regrado em legislação federal, mas já praticado em iniciativas de estaduais a locais.

“Um mecanismo público que reconhece e recompensa os serviços ecossistêmicos que sustentam a vida na Terra é uma resposta concreta aos desafios fiscais e ambientais e uma demonstração de liderança regional”, avaliou Marcello Brito, diretor-executivo do Consórcio.

Conforme o grupo amazônico, a metodologia para geração dos créditos está sendo refinada por equipes financeiras, ambientais e jurídicas, usando indicadores como o aumento de populações de espécies, a qualidade dos ecossistemas e a conectividade ambiental. 

Depois, os governos esperam que os créditos sejam pagos voluntariamente por setores da energia, mineração, petróleo e gás, agropecuária e bioeconomia, ajudando a manter unidades de conservação de proteção integral e liberando dinheiro para saúde, educação e outros serviços públicos.

“Com orçamentos pressionados, manter a gestão dessas áreas protegidas exige novas fontes de receita previsíveis”, avaliou Luis Fernando Pereira da Silva, coordenador da Câmara de Gestão Fiscal e Tributária do Consórcio Amazônia Legal.

Parques e outras unidades de conservação de proteção integral não podem ter exploração econômica direta de seus recursos,  mas podem gerar receita com turismo, pesquisas e educação ambiental, para sua própria conservação ou em áreas protegidas similares.

Além disso, o Banco Interamericano de Desenvolvimento estima que cada dólar investido em restauração e conservação florestal na Amazônia pode gerar até US$ 7 em benefícios diretos e indiretos, como geração de empregos, produtividade e estabilidade climática.

Daí a importância ainda maior de se manter a integridade de florestas, rios e solos, que “são infraestruturas econômicas tão essenciais quanto estradas ou energia”, disse Luana Maia, diretora da Nature Finance no Brasil, entidade parceira da iniciativa. “Quando esses ativos se degradam, todos pagam o preço”, alertou.

  • Aldem Bourscheit

    Jornalista cobrindo há mais de duas décadas temas como Conservação da Natureza, Crimes contra a Vida Selvagem, Ciência, Agron...

Leia também

Notícias
19 de dezembro de 2025

STF derruba Marco Temporal, mas abre nova disputa sobre o futuro das Terras Indígenas

Análise mostra que, apesar da maioria contra a tese, votos introduzem condicionantes que preocupam povos indígenas e especialistas

Análises
19 de dezembro de 2025

Setor madeireiro do Amazonas cresce à sombra do desmatamento ilegal 

Falhas na fiscalização, ausência de governança e brechas abrem caminho para que madeira de desmate entre na cadeia de produção

Reportagens
19 de dezembro de 2025

Um novo sapinho aquece debates para criação de parque nacional

Nomeado com referência ao presidente Lula, o anfíbio é a 45ª espécie de um gênero exclusivo da Mata Atlântica brasileira

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.