Belém (PA) – Na reta final da COP30, em Belém, a conferência ganha novos contornos com o lançamento do Vituke, um fundo voltado à autonomia e à gestão territorial indígena. Nesta quinta-feira (20), a green zone enfrentou superlotação em pleno feriado. O anúncio do mecanismo financeiro, somado ao intenso fluxo de visitantes e ao incêndio que levou ao fechamento temporário da Blue Zone marcou um dia decisivo que pode empurrar as negociações climáticas para além do previsto.
Com programação aberta ao público e diversa, as filas para entrar na Green Zone neste feriado de Dia da Consciência Negra estavam dando volta.
Novo fundo Vituke reforça autonomia indígena
Lançado na terça-feira (18) na Zona Azul da COP30, em Belém (PA), o Vituke é o novo mecanismo financeiro criado pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Funai e FUNBIO para fortalecer a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Indígena (PNGATI). Construído em parceria com organizações como APIB, ANMIGA e COIAB, o fundo recebeu compromissos iniciais equivalentes a cerca de R$ 550 milhões de doadores internacionais, entre eles BMZ/KfW, Fundação Gordon & Betty Moore e Banco Mundial. O nome, que significa “nosso” em terena, simboliza a centralidade da governança indígena no uso dos recursos.
Segundo a ministra Sonia Guajajara, o Vituke garantirá acesso direto das organizações indígenas ao financiamento necessário para implementar seus planos de gestão e fortalecer ações territoriais como proteção ambiental, uso sustentável da biodiversidade, prevenção de danos e restauração. O mecanismo tem potencial para apoiar a proteção de até 100 milhões de hectares e beneficiar mais de 300 mil indígenas, quase metade da população indígena registrada no Censo de 2022. Para o governo, o instrumento responde a uma demanda histórica por autonomia e consolida a COP30 como marco na defesa dos direitos territoriais indígenas.
Os recursos do Vituke serão destinados a projetos alinhados aos seis eixos estruturantes da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), incluindo governança, infraestrutura de gestão e iniciativas produtivas sustentáveis. A iniciativa também reforça o papel dos territórios indígenas como uma das estratégias mais eficazes de mitigação climática e conservação da biodiversidade no Brasil. Representantes de diversas organizações participaram do lançamento e celebraram o fundo como um avanço concreto para garantir que os povos indígenas liderem a gestão de seus territórios em todos os biomas do país.
Feriado na zona verde

Belenenses aproveitaram o feriado de Dia da Consciência Negra nesta quinta-feira (20) para conhecer os pavilhões e espaços da zona verde durante a COP30. Aberta ao público geral desde o dia 10, a zona chegou a ser fechada por superlotação após atingir a capacidade máxima, o que acabou criando uma gigantesca fila de espera que chegou a alcançar três quarteirões.
O espaço fica localizado no Parque da Cidade e tem capacidade para receber cerca de 8 mil pessoas simultaneamente, e não precisa de credenciamento para entrar, como ocorre na blue zone. A estimativa é que até o fim da conferência, Belém deve receber mais de 50 mil pessoas de 190 países.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Sem passar a boiada: rebanhos europeus viraram bombeiros de verdade
Enquanto políticos daqui vendiam gado como solução para incêndios, o velho continente mostrava que o bom pastoreio pode controlar o fogo →
Quando é melhor matar do que ferir: a contradição do novo decreto ambiental
O novo decreto aumentou de forma importante as multas por maus-tratos, mas manteve de pé uma contradição difícil de defender: em certos casos, matar um animal silvestre segue saindo mais barato do que ferir um cachorro →
Deputado Alceu Moreira quer derrubar criação do Parque Nacional do Albardão
Parlamentar entrou com um projeto para derrubar decreto de criação da área protegida. SOS Oceano aponta inconstitucionalidade da proposta: “viola frontalmente o art. 225”, defende →



