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Curtinhas da COP30 – Reta final com novo fundo e alta demanda na zona verde

Novo fundo reforça governança indígena na gestão ambiental enquanto público lota a zona verde e incidente na área oficial pode adiar o encerramento das negociações da COP30

Karina Pinheiro ·
20 de novembro de 2025

Belém (PA) – Na reta final da COP30, em Belém, a conferência ganha novos contornos com o lançamento do Vituke, um fundo voltado à autonomia e à gestão territorial indígena. Nesta quinta-feira (20), a green zone enfrentou superlotação em pleno feriado. O anúncio do mecanismo financeiro, somado ao intenso fluxo de visitantes e ao incêndio que levou ao fechamento temporário da Blue Zone marcou um dia decisivo que pode empurrar as negociações climáticas para além do previsto.

Com programação aberta ao público e diversa, as filas para entrar na Green Zone neste feriado de Dia da Consciência Negra estavam dando volta. 

Novo fundo Vituke reforça autonomia indígena

Lançado na terça-feira (18) na Zona Azul da COP30, em Belém (PA), o Vituke é o novo mecanismo financeiro criado pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Funai e FUNBIO para fortalecer a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Indígena (PNGATI). Construído em parceria com organizações como APIB, ANMIGA e COIAB, o fundo recebeu compromissos iniciais equivalentes a cerca de R$ 550 milhões de doadores internacionais, entre eles BMZ/KfW, Fundação Gordon & Betty Moore e Banco Mundial. O nome, que significa “nosso” em terena, simboliza a centralidade da governança indígena no uso dos recursos.

Segundo a ministra Sonia Guajajara, o Vituke garantirá acesso direto das organizações indígenas ao financiamento necessário para implementar seus planos de gestão e fortalecer ações territoriais como proteção ambiental, uso sustentável da biodiversidade, prevenção de danos e restauração. O mecanismo tem potencial para apoiar a proteção de até 100 milhões de hectares e beneficiar mais de 300 mil indígenas, quase metade da população indígena registrada no Censo de 2022. Para o governo, o instrumento responde a uma demanda histórica por autonomia e consolida a COP30 como marco na defesa dos direitos territoriais indígenas.

Os recursos do Vituke serão destinados a projetos alinhados aos seis eixos estruturantes da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), incluindo governança, infraestrutura de gestão e iniciativas produtivas sustentáveis. A iniciativa também reforça o papel dos territórios indígenas como uma das estratégias mais eficazes de mitigação climática e conservação da biodiversidade no Brasil. Representantes de diversas organizações participaram do lançamento e celebraram o fundo como um avanço concreto para garantir que os povos indígenas liderem a gestão de seus territórios em todos os biomas do país.

Feriado na zona verde

População lotou a Zona Verde da COP nesta quinta-feira (20). Foto: Elizabeth Oliveira

Belenenses aproveitaram o feriado de Dia da Consciência Negra nesta quinta-feira (20) para conhecer os pavilhões e espaços da zona verde durante a COP30. Aberta ao público geral desde o dia 10, a zona chegou a ser fechada por superlotação após atingir a capacidade máxima, o que acabou criando uma gigantesca fila de espera que chegou a alcançar três quarteirões.

O espaço fica localizado no Parque da Cidade e tem capacidade para receber cerca de 8 mil pessoas simultaneamente, e não precisa de credenciamento para entrar, como ocorre na blue zone. A estimativa é que até o fim da conferência, Belém deve receber mais de 50 mil pessoas de 190 países. 

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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