Notícias

Ibama é acusado de descaso e enquadrado para retomar serviços do Cetas-RJ

Há mais de 2 anos sem manutenção predial, uma pane elétrica no Cetas-RJ provocou a suspensão dos serviços do único Centro de Triagem de Animais Silvestres do Rio de Janeiro. Procuradores denunciam descaso

Duda Menegassi ·
17 de dezembro de 2021 · 4 anos atrás

De forma conjunta, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ajuizaram uma ação civil pública pelo restabelecimento dos serviços do Centro de Triagem de Animais Silvestres do Rio de Janeiro (Cetas-RJ), gerido pela superintendência regional do Ibama (Supes-RJ). O Centro, situado no município de Seropédica, é o único existente no estado e teve as atividades suspensas na quarta-feira (15), após uma pane elétrica interromper o fornecimento de energia em uma das três construções que compõem o Cetas-RJ. Os procuradores denunciam que a pane é fruto do descaso, uma vez que a Superintendência do Ibama no Rio está há mais de 2 anos sem contratos de manutenção predial.

A ação, proposta em caráter cautelar e antecedente, “busca impedir a paralisação ilegal do serviço público essencial de recepção, identificação, marcação, triagem, avaliação, recuperação, reabilitação e destinação de animais silvestres, provenientes de apreensões, resgates ou entregas espontâneas no Estado do Rio de Janeiro”, cita trecho do documento. Este serviço, indicam os procuradores, atualmente é prestado em caráter exclusivo pelo Cetas-RJ, que recebeu, apenas em 2021, cerca de 11 mil animais.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



“A interrupção, sem previsão de retorno, do serviço prestado em caráter de exclusividade pelo CETAS/Seropédica causará o caos do resgate dos animais silvestres e do trabalho

das polícias ambientais, uma vez que os CETAS mais próximos estão situados em Lorena/SP e Juiz de Fora/MG, respectivamente a 250 km e 185 km da cidade do Rio de Janeiro”, destaca a ação civil pública. O documento também ressalta a falta de compromisso do Ibama com prazos, recursos orçamentários e a contratação de todas as obras e serviços necessários ao funcionamento do serviço público essencial prestado pelo CETAS no Estado.

A ação pede a contratação e execução de projeto de reforma das instalações elétricas do Cetas-RJ e reforça a necessidade urgente de compelir o Ibama e Supes-RJ, inclusive com imposição de multa diária de R$2.000, a restabelecer, o mais rápido possível, o serviço do Cetas. 

De acordo com as documentações apresentadas na ação, após a pane, o diretor da  Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas (DBFLO) limitou-se a informar que o Ibama designou um engenheiro que irá realizar a vistoria técnica entre os dias 13 e 16 de dezembro e que, somente após a emissão do laudo, é que “se poderá dimensionar as medidas corretivas a serem adotadas”. A diretoria não respondeu o pedido da Divisão Técnico-Ambiental (DITEC) de apoio para destinação dos animais atualmente no Cetas – cerca de 1.500 bichos apreendidos – com o intuito de promover a maior redução possível no quantitativo de animais acondicionados na unidade.

O Ministério Público Federal solicitou a colaboração da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) para elaboração de um laudo de engenharia elétrica no Cetas. A avaliação do engenheiro indicou que as instalações elétricas do Centro apresentam vários pontos em desconformidade, o que coloca em risco a segurança de pessoas e animais. E recomenda a elaboração de um projeto de instalações elétricas a fim de orientar “a substituição de toda instalação elétrica do Cetas”.

A ação lembra ainda do episódio de mortandade em massa dos animais do Cetas-RJ por abandono e pela interrupção do contrato dos cuidadores, que provocou a morte de mais de 600 animais, e que resultou na instauração de inquérito civil e policial para apuração dos envolvidos. Os contratos do Cetas-RJ são incumbência da Superintendência do Ibama no estado do Rio de Janeiro, chefiada atualmente pelo contra-almirante da Marinha, Alexandre Amaral Dias da Cruz.

Os procuradores pedem a condenação do presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, e do superintendente, Alexandre Cruz, “ao pagamento de indenização pelos danos morais coletivamente causados à fauna silvestre do Cetas/Seropédica, em decorrência da negligência e desídia na manutenção do Centro por parte de ambos, em valor a ser apurado em fase de liquidação de sentença”. 

Os dois foram incubidos de, dentro de cinco dias, apresentar um plano e cronograma de trabalho para a solução dos problemas elétricos identificados pelo Ibama e pela UFRRJ; promover a destinação dos animais atualmente mantidos no Cetas; promover, em até 60 dias, a contratação e execução de projeto de reforma das instalações elétricas do Cetas-RJ, por profissional habilitado; promover em até 30 dias, a contratação de projeto executivo para execução das outras obras/benfeitorias necessárias à conservação/manutenção do funcionamento do Cetas; e concluir, também em 30 dias, a contratação do serviço de engenharia de manutenção predial das unidades do IBAMA no Rio de Janeiro, inclusive do CETAS.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
23 de fevereiro de 2021

Pressionado, superintendente do Ibama-RJ assina contratação de tratadores de animais

Após a denúncia de morte em massa de animais no Cetas do Rio de Janeiro devido a falta de tratadores por um mês, o superintendente assinou o processo de contratação – que já estava pronto – mas prepara retaliações à equipe

Salada Verde
25 de fevereiro de 2021

Ibama avisa que irá apurar a responsabilidade por mortes de animais no Cetas-RJ

Serão abertos cinco processos de apuração de responsabilidade no caso da falta de tratadores que causou a morte de centenas de animais. PF e MPF também investigam o caso

Salada Verde
2 de março de 2021

PV cobra explicações de Ministério sobre a morte de 600 animais silvestres

Os deputados federais Célio Studart (PV-CE) e Israel Batista (PV-DF) protocolaram requerimento solicitando explicações do ministro Ricardo Salles. Cetas do Rio chegou a ficar 47 dias sem tratadores

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.