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Mais da metade da exploração de madeira no Pará é ilegal, aponta estudo

Entre 2019 e 2020, cerca de 50 mil hectares do estado foram explorados para extração de madeira, sendo 55% sem autorização

Cristiane Prizibisczki ·
14 de setembro de 2021 · 5 anos atrás

Entre agosto de 2019 e julho de 2020, a exploração de madeira no Pará atingiu uma área de 50.139 hectares, o equivalente a quase metade do tamanho da capital paraense, Belém. Desse total, 55% não possuía autorização dos órgãos ambientais, revela estudo feito pela Rede Simex, divulgado nesta terça-feira (14).

A Rede Simex é formada pelas instituições de pesquisa ambiental Imazon, Imaflora, Idesam e ICV com o objetivo de mapear a extração de madeira nos estados da Amazônia, através de um sistema de monitoramento baseado em imagens de satélite e checagem de informações em diferentes bancos de dados nos estados.

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A análise realizada pela Rede no Pará mostrou que a extensão de áreas exploradas ilegalmente chega a 27.595 hectares. No relatório anterior, referente ao período compreendido entre agosto de 2018 e julho de 2019, a área não autorizada representava 38% do total (22.906), um aumento de 20%.

Municípios na ilegalidade

Das cidades paraenses, Paragominas foi a que teve a maior área explorada sem permissão, 8.073 hectares (29%). Juruti ficou em segundo no ranking, com 3.954 (14%), e Goianésia do Pará em terceiro, com 3.271 (12%).

De modo geral, de toda área explorada sem autorização no estado no período analisado, mais da metade (56%) concentrou-se no Sudeste, com 15.349 hectares. O Baixo Amazonas, que fica no Noroeste do estado, contabilizou 5.993 hectares (22%), e o Sudoeste, 4.182 hectares (15%), sendo estas as outras duas regiões com maiores áreas de exploração não autorizada.

“O Sudeste paraense é uma região que possui uma zona madeireira antiga, onde a atividade segue sendo bastante intensa devido à expansão da rede de estradas e à existência de estoques florestais remanescentes”, explica Dalton Cardoso, pesquisador do Imazon.

Exploração de madeira em áreas protegidas

O relatório do Simex identificou que a Terra Indígena do Baú, no Sul do estado, concentrou toda exploração madeireira não autorizada em áreas protegidas paraenses. A área com derrubada de árvores nessa TI foi equivalente a 158 campos de futebol.

A exploração ilegal em áreas protegidas identificada no estudo divulgado nesta terça-feira foi bem menor do que anos anteriores. Em 2008, por exemplo, o Simex chegou a identificar mais de 20 mil hectares explorados na TI Alto Rio Guamá. Essa redução, no entanto, deve ser analisada com cuidado, explica o pesquisador do Imazon.

“É preciso levar em conta que a alta cobertura de nuvens em áreas protegidas consideradas críticas pode ter contribuído para essa pouca detecção da extração  madeireira no período avaliado”, diz Cardoso.

Em relação às demais categorias fundiárias, o Simex identificou que a ilegalidade na exploração madeireira se concentrou majoritariamente em imóveis rurais cadastrados, que somou 17.726 hectares (64,2%). O restante da extração madeireira não autorizada foi identificada nos assentamentos rurais, que tiveram 5.434 hectares explorados (19,7%); nos vazios cartográficos, 2.635 hectares (8,%) e nas terras não destinadas, 1.858 hectares (6,8%).

Em relação à área total usada para extração de madeira na Amazônia no período entre agosto de 2019 e julho de 2020 (464 mil hectares), o Pará foi o quarto estado com o maior território explorado, o que correspondeu a 10,8% do total.

A exploração madeireira pode provocar a degradação florestal,

Diferente do chamado “corte raso”, quando há retirada total da vegetação e ocorre o desmatamento, a exploração madeireira é caracterizada pela retirada de determinadas árvores da floresta. Quando realizada fora do estipulado nos planos de manejo, ela pode provocar a degradação florestal, onde a floresta é continuamente empobrecida, reduzindo a biomassa florestal, a biodiversidade e os estoques de madeira comercial.

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.

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