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Mata Atlântica pode ganhar um novo parque nacional

Proposta do Parque Nacional Serras do Araçatuba e Quiriri, na divisa entre SC e PR, visa preservar porção ainda desprotegida do maior contínuo de Mata Atlântica do país

Duda Menegassi ·
9 de dezembro de 2025

Na divisa entre Santa Catarina e Paraná, na região sul do Brasil, está uma cadeia de montanhas que integra o maior contínuo preservado de Mata Atlântica do país. Composta por campos de altitude, matas de araucária, florestas, rochas e nascentes, a região pode se tornar o 76º parque nacional brasileiro. A proposta, elaborada pelo ICMBio, está em estágio avançado de análise e as consultas públicas devem começar já no primeiro semestre de 2026. O Parque Nacional Serras do Araçatuba e Quiriri abrangeria uma área aproximada de 32,7 mil hectares – o equivalente a uma área do tamanho de Belo Horizonte – distribuída por cinco municípios: Campo Alegre, Garuva, Joinville, do lado catarinense, e Guaratuba e Tijucas do Sul, na porção paranaense.

A região está entre as áreas consideradas prioritárias para a conservação e abriga espécies de bichos e plantas ameaçadas de extinção. Desde a emblemática araucária (Araucaria angustifolia); ao pequeno gravatá (Dyckia reitzii), planta típica de campos de altitude; até a grandalhona onça-parda (Puma concolor) e o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea).

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Um aspecto central na unidade de conservação (UC) proposta é garantir a segurança hídrica. As águas das montanhas da região alimentam nascentes que contribuem com as bacias hidrográficas do Rio Cubatão e do Rio Negro, importantes para o abastecimento dos municípios de Joinville, Mafra e Rio Negro.

As águas que nascem nas montanhas da área proposta alimentam importantes bacias hidrográficas da região. Foto: ICMBio

Com os estudos prévios feitos para embasar a proposta, avança agora a articulação política e diálogo com os municípios envolvidos e seus moradores para que possam ser marcadas as consultas públicas no território, etapa obrigatória do rito de criação de UCs.

Entre os possíveis conflitos, está a mineração, que já tem garras e olhos sobre o território. De acordo com o levantamento do ICMBio, já há processos minerários cadastrados dentro e no entorno da área, incluindo concessão de lavra de caulim e requerimentos de pesquisa para exploração de saibro, minério de ferro e platina.

A proposta, formalmente apresentada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) em 2024, é fruto de uma demanda que nasceu na década de 90, a partir de vereadores de Joinville.

O desenho proposto ao parque se sobrepõe parcialmente a quatro Áreas de Proteção Ambiental (APA) estaduais e municipais: de Guaratuba, Serra Dona Francisca, do Campos do Quiriri e do Quiriri. Com a eventual sobreposição, impera a lei do mais forte, no caso, o que mais preserva, dando a estas porções hoje classificadas como uso sustentável, status de proteção integral. 

O parque ajudaria a consolidar um corredor ecológico, resguardar uma porção ainda desprotegida da cadeia de montanhas e formar um cinturão de áreas protegidas, incluindo as quatro APAs, o Parque Nacional do Guaricana (PR) e a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Caetezal (SC).

Potencial para o ecoturismo

Inserida no território da Grande Reserva da Mata Atlântica, projeto que visa promover o ecoturismo e conservação no maior contínuo do bioma, a criação de um parque – tipo de UC que pressupõe a visitação – pretende alavancar ainda mais o turismo na região.

Com belas paisagens, morros e cachoeiras, e num raio de cerca de 100 quilômetros de Curitiba, o parque proposto pode se consolidar como um destino para amantes de trilhas, montanhistas e observadores de aves, e representaria “uma oportunidade de turismo e lazer para os municípios do entorno que já possuem boa infraestrutura para suporte às atividades e riqueza cultural”, destaca o ICMBio.

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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