Mesmo no estado mais populoso do Brasil, os seres humanos não são os únicos primatas do pedaço. Em solo paulista podem ser encontradas 12 espécies diferentes de macacos, desde o imponente muriqui-do-sul, maior primata das Américas, até duas espécies de micos-leões, uma delas exclusiva do estado. Essa diversidade pode ser melhor conhecida no aplicativo “Que Macaco é Esse?”. A ferramenta recém-lançada ajuda na identificação das espécies que podem ser vistas nas unidades de conservação de SP, contribui com informações gerais sobre cada uma delas e permite aos usuários fazerem seu próprio ‘checklist’ dos animais já visualizados.
O app é fruto do projeto de mestrado da pesquisadora Maria Clara Machado, no Programa de Pós-graduação em Conservação da Fauna da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) junto ao seu orientador, Cauê Monticelli. A proposta é que o aplicativo fomente a observação de fauna responsável, em particular de primatas (vulgo primate watching), e sirva como ferramenta de conscientização, de apoio a atividades de educação ambiental nas UCs e de estímulo ao pertencimento em relação à biodiversidade, conta Maria Clara.
“O objetivo foi desenvolver uma ferramenta capaz de auxiliar na identificação de espécies de primatas durante atividades em campo em todo o estado de São Paulo, especialmente diante do crescimento do turismo responsável voltado à observação de primatas na natureza, que é uma tendência global para geração de conexão entre pessoas e biodiversidade, geração de renda e valorização da biodiversidade viva”, destaca a primatóloga, que atua no MonitoraBioSP, programa da Fundação Florestal voltado ao monitoramento da biodiversidade no estado de São Paulo.
Além dos 11 macacos nativos do estado, como os ameaçados mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), espécie símbolo de São Paulo, o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) e bugio-ruivo (Alouatta guariba); o aplicativo inclui também o exótico e invasor, porém já comum, sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus) e os saguis híbridos – a mistura de diferentes saguis.
Ao fazer login, o usuário pode começar sua própria lista de macacos visualizados no estado, informando qual espécie acredita que seja e o local do registro. Para fazer essa identificação, é possível navegar por fotos, vocalizações e dados relativos a cada espécie. Não é necessário ser expert, tranquiliza Maria Clara, pois os registros são validados posteriormente pelos pesquisadores para garantir a identificação correta.
Gratuito, o aplicativo pode ser baixado em sistemas Android e IOS.
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