Notícias

Segunda Fase do Amazonas Protege vai cobrar R$ 2,6 bi em indenizações

Resultado foi apresentado nesta quarta-feira (06), durante evento em Brasília. Desmatamento ilegal atinge também unidades de conservação e terras indígenas

Vandré Fonseca ·
6 de junho de 2018 · 8 anos atrás
Resultado da segunda fase do Amazônia Protege foi apresentado nesta quarta-feira (06), durante evento em Brasília. Foto: Eduardo Pegurier.

O Ministério Público Federal identificou 2,3 mil pessoas, responsáveis por desmatar ilegalmente 162 mil hectares na Amazônia Legal, entre agosto de 2016 e julho 2017. Os laudos foram produzidos na segunda fase da iniciativa Amazônia Protege e serão encaminhados a partir desta semana às Procuradorias da República nos estados da região.

As informações vão servir para a instauração de ações civis públicas para reparação dos danos ambientais, com indenizações que podem ultrapassar os R$ 2,6 bilhões, segundo informações do MPF. No total, foram localizados 1.550 focos de desmatamento ilegal, com mais de 60 hectares na segunda fase da iniciativa.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



O Amazonas Protege inovou ao cruzar informações de bancos de dados públicos com imagens de satélite para identificar os responsáveis por desmatamentos na região amazônica. O programa usa dados do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz o monitoramento anual do desmatamento da Amazônia. No ano passado, na primeira fase do Amazonas Protege, o sistema foi responsável por 1.088 ações judiciais, para reparar danos provocados sobre 151 mil hectares de florestas.

“O desmatamento na Amazônia agora é uma venda casa, você pode desmatar mas vai receber junto uma ação civil pública do MPF”, afirmou o procurador da república Daniel Azeredo, secretário executivo da Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF (4ª CCR), que fez a apresentação do resumo da segunda fase da iniciativa. Ele destacou que o uso das informações obtidas por satélite resolveu problemas como a falta de pessoas para fiscalizar e investigar todos os focos de desmatamento identificados na Amazônia e punir os responsáveis.

De acordo com o Ministério Público, o objetivo da iniciativa é evitar a regularização fundiária de áreas desmatadas ilegalmente e estimular que compradores de terras e de produtos da Amazônia deixem de alimentar cadeias produtivas predatórias. O georreferenciamento dos desmatamentos ilegais permite contornar o uso de “laranjas” e identificar com mais precisão os responsáveis.

Nesta segunda fase, foram identificados 54 focos de desmatamento ilegal em unidades de conservação e 18 no interior de terras indígenas. E apenas 567 áreas (36% do total) estava sob embargo de órgãos ambientais.

Entre os nove estados da região, Pará (426 áreas) e Mato Grosso (411) lideram o número de área desmatadas ilegalmente identificadas. Mas estados como o Amazonas (296), que até alguns anos tinham baixas taxas de desmatamento, têm demonstrado sofrer com o avanço da derrubada da floresta.

Logo após a apresentação dos dados pelo Ministério Público, foi apresentado o documentário Sob a Pata do Boi, produzido por ((o))eco e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e dirigido por Marcio Isensee e Sá.

“O Ministério Público não é contra a agricultura e pecuária, mas contra a ilegalidade”, destacou o procurador da República Nívio de Freitas, coordenador da 4ª CCR. “Quem faz a pecuária e agricultura de maneira lícita sofre a concorrência desleal daquele que comete ilegalidades.”

 

Leia Também

MPF pede R$ 1,5 bi de indenização por desmatamento ilegal na Amazônia

Os portões do desmatamento

O que é a Amazônia Legal

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Dicionário Ambiental
20 de novembro de 2014

O que é a Amazônia Legal

Com uma área que ocupa 59% do território brasileiro, ela foi criada para desenvolver a região amazônica.

Reportagens
19 de julho de 2017

Os portões do desmatamento

Levantamento mostra que pouco mais de 100 frigoríficos fazem 90% do abate de gado na Amazônia, comprando das áreas onde a floresta diminui

Notícias
21 de novembro de 2017

MPF pede R$ 1,5 bi de indenização por desmatamento ilegal na Amazônia

Ações estão sendo movidas com base em laudos produzidos a partir de imagens do Prodes. No total, quase 1.200 áreas desmatadas ilegalmente foram identificadas

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 1

  1. Sousa santos diz:

    Será que vai cobrar mesmo ? E se cobrar , será que vai receber ? E se receber , para onde vai esse dinheiro ?